11/12/2014 - 10:00
Os contratos futuros de petróleo bruto recuperaram nesta quinta-feira algum terreno perdido nos últimos dias, mas permaneceram perto das mínimas de cinco anos. Os ativos, que caíram fortemente ao longo das últimas semanas, não devem mostrar um avanço sustentado em breve, disseram participantes do mercado.
“O mercado está tomando um pouco de fôlego hoje e a história nos diz que quinta-feira é geralmente um dia de alta”, disse um corretor de energia com sede em Londres. “Mas ainda há muita pressão lá fora e o mercado não tem encontrado sustentação ainda.”
Dentre os fatores que elevaram a pressão estão comentários feitos pelo ministro saudita de petróleo, Ali al-Naimi, à margem de uma conferência em Lima na quarta-feira. Questionado sobre se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) precisaria cortar a produção de petróleo antes da próxima reunião do cartel, em junho, al-Naimi disse, segundo a mídia internacional: ” Por que devemos cortar a produção? Por que?”.
Os comentários alimentaram especulações de que a Arábia Saudita, há muito tempo o país mais influente para os preços do petróleo, estava preparada para tolerar preços mais baixos e deixar as forças do mercado definirem o atual excesso mundial de petróleo.
Na sua reunião de novembro, a OPEP decidiu não agir para sustentar os preços do petróleo. O movimento foi visto principalmente como uma forma de a organização proteger a sua quota de mercado. Os preços caíram mais de 10% desde então e os analistas não antecipam uma recuperação no futuro próximo.
“Para isso, as condições econômicas para os mercados de petróleo tem de mudar, o que é uma possibilidade improvável dada a decisão da OPEP para não cortar a produção, há duas semanas”, afirmou Jameel Ahmad, analista chefe de mercado da FXTM, em nota a clientes.
Na quarta-feira, a Opep disse que a demanda por seu petróleo deverá cair abaixo de sua atual cota de produção, de 30 milhões de barris por dia. De acordo com as últimas previsões da organização, a demanda por seu petróleo cairá para 28,9 milhões de barris por dia em 2015, abaixo dos 29,4 milhões de barris por dia em 2014.
“Com a Opep não deve tomar qualquer medida, nós provavelmente vamos ver uma queda para US$ 50 por barril”, disse Ahmad. “Esse é um nível de suporte provável, com que as pessoas podem estar confortáveis.”
Às 10h (de Brasília), o Brent para janeiro subia 1,26%, a US$ 65,05 por barril, na plataforma eletrônica ICE, em Londres, enquanto na Nymex, o petróleo para o mesmo mês ganhava 1,07%, a US$ 61,58 por barril. Fonte: Dow Jones Newswires.