15/01/2016 - 19:28
Os preços do petróleo tiveram queda forte e fecharam abaixo de US$ 30 por barril nesta sexta-feira, 15, pela primeira vez em 12 anos, acumulando uma perda de 11,3% na semana. A queda foi atribuída a preocupações com a economia da China e à expectativa de que o fim das sanções econômicas contra o Irã seja anunciado em poucos dias – o que permitirá que o país volte a exportar, aumentando ainda mais o excesso de oferta do produto.
Era esperado para hoje um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificando que o Irã não está desenvolvendo um programa nuclear com fins militares; a suspeita em relação ao programa nuclear iraniano havia levado os EUA e seus aliados a imporem sanções econômicas contra o país, entre elas a proibição de exportar petróleo.
“O fim das sanções não poderia vir num momento pior para o mercado de petróleo e portanto poderá, potencialmente, pressionar os preços ainda mais para baixo”, comentaram em nota os analistas do Commerzbank. O governo do Irã já disse que terá como exportar 500 mil barris de petróleo bruto por dia poucas semanas depois do fim das sanções. Os analistas do banco de investimentos Tudor, Pickering, Holt & Co., porém, disseram que é mais realista pensar em uma oferta adicional de 300 mil barris por dia.
Na bolsa de Xangai, o índice Shanghai Composite caiu 3,55% e fechou abaixo da mínima de 26 de agosto; ele acumula uma queda de 20% em relação à sua máxima recente, de 22 de dezembro. O mercado reagiu ao informe de uma agência de notícias local de que alguns bancos chineses não estão mais aceitando ações como colaterais para empréstimos. O banco central da China, por sua vez, informou que os bancos do país concederam 597,8 bilhões de yuan em novos empréstimos em dezembro, de 708,9 bilhões de yuan em novembro – em novo sinal de desaceleração da economia chinesa.
“A China tem sido há anos um pilar importante para a demanda, e se você remove isso, as coisas não parecem boas para o petróleo”, disse o analista Abhishek Deshpande, da Natixis.
“No que se refere à economia global, podemos estar em uma crise séria, que se traduz em falta de demanda por energia. Os mercados emergentes eram o único ponto positivo no mundo; com a remoção disso, e nenhuma mudança do lado da oferta, isso continuará a pesar no mercado”, disse Gene McGillian, da Tradition Energy.
O informe da Baker Hughes, de que o número de poços e plataformas de produção de petróleo se reduziu pela quarta semana consecutiva (para 515, um a menos do que na semana passada), não teve impacto nos preços.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para fevereiro fecharam a US$ 29,42 por barril, em queda de US$ 1,78 (5,71%), Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para março fecharam a US$ 28,94 por barril, em queda de US$ 1,94 (6,28%). Fonte: Dow Jones Newswires