O barril de Brent do Mar do Norte caiu nesta quinta-feira a seu preço mais baixo em quatro anos, abaixo da barreira simbólica dos 80 dólares. A queda é motivada, sobretudo, pela oferta abundante do mercado.

A redução dos preços ocorre a duas semanas de uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual não se esperam, em princípio, decisões sobre cortes na produção.

No fechamento, O barril de “light sweet crude” (WTI) para entrega em dezembro caiu 2,97 dólares, a 74,21 dólares, nível mais baixo desde setembro de 2010 no New York Mercantile Exchange (Nymex).

Em Londres, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega no mesmo prazo recuou 2,46 dólares, fechando a 77,92 dólares no Intercontinental Exchange (ICE), em seu nível mais baixo desde setembro de 2010.

Desde a sua última máxima em meados de junho (a 115,71 dólares), a referência europeia de cru caiu mais de 30%, devido a uma série de fatores, como a ampla oferta, a moderada demanda e a valorização do dólar.

Os investidores estão preocupados com o nível da demanda energética de dois grandes consumidores de petróleo: a China, que continua crescendo, embora em um ritmo mais lento, e a Europa, onde se vislumbra uma ameaça de estagnação.

Apesar da queda dos preços, não parece que a Opep diminuirá a produção em sua próxima reunião, em 27 de novembro, em Viena. Contudo, alguns países da Opep, como a Arábia Saudita, líder do cartel, já reduziram seus preços para alguns clientes, como os Estados Unidos.

Como destacam os analistas do Commerzbank, os comentários feitos na última quarta-feira pelo ministro saudita do Petróleo, Ali al Nuaimi, não esclareceram sua posição.

“Tudo o que ele disse é que quer um mercado de petróleo estável, preços sólidos e não embarcar em uma guerra de preços. O que ele aparentemente quis dizer é que está tudo bem, se os preços se mantiverem nos níveis atuais”, avaliaram.

Já outros países, como Venezuela e Equador, defendem publicamente o corte da produção para frear uma queda dos preços que ameaça suas contas públicas.

“Há muitos países que perdem com esses preços, como a Rússia, e todos os membros da Opep de fora da península arábica, como Venezuela, Argélia e Nigéria. Estes países precisam de preços mais altos, em torno dos 100 dólares o barril, para dinamizar o crescimento econômico e evitar o descontrole do déficit”, explicou o economista Christopher Dembik, do Saxo Banque.

Como ressaltou o analista, o mercado de petróleo entrou em um novo paradigma com a produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos. Este tipo de petróleo bruto não convencional é extraído por fraturação hidráulica. Criticada pelos ecologistas, a técnica consiste em injetar água com alta pressão para fraturar rochas localizadas em profundidades entre 1.500 e 2.400 metros.

A técnica possibilita a extração de petróleo para muitos outros países, ameaçando a posição dos produtores tradicionais.

Graças a isso, os Estados Unidos recuperaram seus níveis de produção dos anos de 1970: 9,5 milhões de barris por ano. Embora os americanos não exportem petróleo de xisto, o aumento de sua produção repercute no mercado mundial, porque reduz seu consumo e obriga seus tradicionais fornecedores a buscar outros mercados.

Apesar de a queda parecer uma boa notícia para os consumidores, “acentua o risco de deflação na zona do euro”, recordou Dembik.