05/01/2026 - 8:37
As ações de empresas do setor de defesa e de empresas petrolíferas subiam nesta segunda-feira, 5, após a ação militar dos EUA na Venezuela no fim de semana e a inesperada captura do presidente Nicolás Maduro. Já os preços do petróleo tinham leves oscilações.
Por volta das 8h (horário de Brasília), o índice de ações de empresas aeroespaciais e de defesa subia cerca de 3,2%, atingindo seu maior valor desde o final de outubro, em comparação com o avanço de 0,4% do índice pan-europeu STOXX 600. As empresas alemãs Hensoldt , Rheinmetall , Renk subiam cerca de 6% e 7% e estavam entre as que mais se valorizavam no STOXX. A italiana Leonardo também se valorizava cerca de 6% e a sueca Saab teve alta de 6,7%, enquanto BAE Systems , Thales , Dassault Aviation subiam cerca de 4% cada uma. A espanhola Indra também tinha alta de cerca de 6%.
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Os mercados de commodities e ativos financeiros mostram, até o momento, porém, apenas uma resposta modesta ao ataque dos EUA à Venezuela. Os preços do petróleo bruto dos EUA subiam cerca de 1% nesta segunda-feira, mas não se distanciaram muito das mínimas de cinco anos atingidas em dezembro.
A Venezuela tem a maior reserva de petróleo no mundo, mas a produção caiu drasticamente nos últimos anos. s ações das petrolíferas dos EUA subiam, com investidores apostando as empresas norte-americanas tenham maior acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. As ações da Chevron, a única grande empresa dos EUA que atualmente opera nos campos de petróleo da Venezuela, subiram 7,3%, enquanto as refinarias Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy subiram entre 5% e 16%.
A captura de Maduro adiciona um novo capítulo em uma disputa sobre o petróleo venezuelano. Trump afirmou que petroleiras dos Estados Unidos irão financiar uma modernização no sistema de exploração do petróleo no país.
Em 2007, ExxonMobil e ConocoPhillips encerraram sua operação venezuelana após uma medida do governo chavista determinar que a empresa estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) passasse a deter um mínimo de 60% da participação em petroleiras atuando no país. Já a Chevron escolheu permanecer, e produz hoje cerca de um terço do total de petróleo extraído no país.
Títulos da dívida da Venezuela disparam
Os títulos emitidos pelo governo do país e pela empresa estatal de petróleo PDVSA, chegaram a subir até 8 centavos de dólar, ou cerca de 20%, no início do pregão europeu, com analistas prevendo mais ganhos.
A remoção de Maduro para os EUA no sábado, após uma incursão militar em Caracas, alimentou nos mercados as expectativas sobre o que provavelmente será uma das maiores — e potencialmente mais complexas — reestruturações de dívida soberana de todos os tempos.
“Os títulos da Venezuela e da PDVSA praticamente dobraram de preço ao longo de 2025, mas ainda devem apresentar um forte salto – de até 10 pontos – no início da sessão desta segunda-feira”, disseram analistas do JPMorgan em nota a clientes.
Os títulos soberanos da Venezuela, que entraram em default (calote) em 2017, tiveram o melhor desempenho do mundo no ano passado, quase dobrando de preço enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentava a pressão militar sobre Maduro.
Os movimentos desta segunda-feira levaram o título de 2031 da Venezuela para quase 40 centavos de dólar, mostraram dados da Tradeweb, com a maioria dos outros subindo entre 35 e 38 centavos e a dívida da PDVSA avançando mais de 6 centavos, para quase 30 centavos.
Os títulos do governo da Venezuela e a PDVSA entraram em default com um valor nominal de cerca de US$ 60 bilhões. No entanto, a dívida externa total, incluindo outras obrigações da PDVSA, empréstimos bilaterais e decisões arbitrais, totaliza aproximadamente US$ 150 bilhões a US$ 170 bilhões, dependendo de como os juros acumulados e as sentenças judiciais são contabilizados, de acordo com analistas.Os títulos do governo da Venezuela subiam nesta segunda-feira após a inesperada captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
A detenção e remoção de Maduro para os EUA no sábado, após uma incursão militar em Caracas, alimentou as expectativas sobre o que provavelmente será uma das maiores — e potencialmente mais complexas — reestruturações de dívida soberana de todos os tempos.
