Os preços do petróleo voltaram a superar US$ 100 por barril nesta segunda-feira, 13, enquanto a Marinha dos EUA se preparava para bloquear a passagem de navios de e para o Irã pelo Estreito de Ormuz, em uma medida que poderia restringir as exportações de petróleo iraniano, após Washington e Teerã não terem conseguido chegar a um acordo para encerrar a guerra.

Os contratos futuros do petróleo Brent ganhavam US$ 6,81, ou 7,2%, para US$ 102,01 por barril, às 8h29 (horário de Brasília), após terem caído 0,75% na sexta-feira. O West Texas Intermediate (WTI) norte-americano subia US$7,50, ou 7,8%, para US$ 104,07, após uma perda de 1,33% na sessão anterior.

O presidente Donald Trump disse no domingo que a Marinha dos EUA iniciaria o bloqueio do Estreito de Ormuz, aumentando as apostas depois que a maratona de negociações com o Irã não conseguiu chegar a um acordo para encerrar a guerra, colocando em risco um frágil cessar-fogo de duas semanas.

Ele acrescentou que os preços do petróleo e da gasolina poderiam permanecer altos até as eleições de meio de mandato norte-americanas em novembro, um raro reconhecimento das possíveis consequências políticas de sua decisão de atacar o Irã há seis semanas.

“O bloqueio anunciado pelos EUA marca uma admissão de que a premissa central do cessar-fogo — ao menos conforme interpretado pelos EUA –, que era a reabertura do Estreito, é insustentável por enquanto”, disse Erik Meyersson, analista do banco nórdico SEB.

O Comando Central dos EUA disse que as forças dos EUA começariam a implementar o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos nesta segunda-feira.

O bloqueio seria “aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrassem ou saíssem dos portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã”, disse o CENTCOM em um comunicado no X.

As forças norte-americanas não impediriam a liberdade de navegação das embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz de e para portos não iranianos, acrescentou.

Guardas Revolucionários do Irã nS8N40E024 disseram no domingo que qualquer embarcação militar que tentasse se aproximar do Estreito de Ormuz seria considerada uma violação do cessar-fogo e seria tratada de forma severa e decisiva.

Os preços do petróleo bruto físico estão sendo negociados com prêmios significativos em relação aos futuros, com alguns tipos já atingindo máximas recordes de cerca de US$ 150 por barril.

“[Se] o presidente Trump de fato apoiar sua ameaça de bloqueio com barcos reais, uma convergência entre os mercados físico e de papel poderá ocorrer em breve”, disse Helima Croft, analista da RBC Capital Markets.

Petroleiros estão se afastando do Estreito de Ormuz antes do bloqueio norte-americano ao Irã, segundo dados de navegação da LSEG.

No entanto, três superpetroleiros totalmente carregados de petróleo passaram pelo estreito no sábado, segundo dados de navegação. Eles parecem ter sido os primeiros navios a sair do Golfo desde que o acordo de cessar-fogo foi fechado na semana passada.

Escalada de tensão entre EUA e Irã em Ormuz

O Exército do Irã afirmou que o bloqueio naval-americano, que deve começar nesta segunda-feira (13), é “ilegal” e constitui um ato de “pirataria”, e advertiu que nenhum porto do Golfo estará a salvo em caso de ameaça aos portos do país.

“As restrições impostas pelos criminosos Estados Unidos à navegação marítima e ao trânsito em águas internacionais são ilegais e constituem um exemplo de pirataria”, declarou o comandante das Forças Armadas iranianas, Khatam al Anbiya, em um comunicado lido na televisão estatal.

“Se a segurança dos portos da República Islâmica nas águas do Golfo Pérsico e do Mar da Arábia for ameaçada, nenhum porto do Golfo Pérsico nem do mar da Arábia estará a salvo”, acrescentou.

O Exército dos Estados Unidos anunciou que vai impor um bloqueio a todos os portos iranianos a partir desta segunda-feira (13), depois que as negociações no Paquistão fracassaram devido à recusa do Irã em renunciar ao seu programa nuclear, segundo o presidente americano Donald Trump.

“Os Estados Unidos imporão um bloqueio aos navios que entrem e saiam dos portos iranianos em 13 de abril às 10h00” (horário de Washington, 11h00 de Brasília), escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

As forças americanas autorizarão a circulação de navios que não saiam do Irã nem se dirijam para este país, destacou o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio.

Trump afirmou ao canal Fox News que o Reino Unido “e alguns outros países” enviariam navios para a detecção de minas.

A resposta do Irã não demorou: o Exército da República Islâmica afirmou que o bloqueio seria “ilegal” e um ato de “pirataria”. O país advertiu que, se a ameaça for concretizada, nenhum porto do Golfo “estará a salvo” de represálias.

Alguns países, como Espanha e China, também criticaram a medida.

“É algo sem sentido, sem razão (…) mais um episódio de toda essa guinada em que fomos metidos”, disse a ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, pediu o restabelecimento de uma navegação “sem obstáculos” no Estreito de Ormuz e resolução das disputas “por meios políticos e diplomáticos”, evitando “reavivar a guerra”.

O anúncio do bloqueio e o fracasso do diálogo em Islamabad (Paquistão) durante o fim de semana para encerrar a guerra no Oriente Médio geram preocupação.

O preço do barril de petróleo começou a semana acima da barreira simbólica de 100 dólares, com uma alta de mais de 7% para o barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, e de mais de 8% para o West Texas Intermediate (WTI).

A incapacidade das partes em alcançar um acordo provoca o temor de uma retomada dos ataques na guerra iniciada em 28 de fevereiro com a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que se propagou para toda a região com as ações de retaliação da República Islâmica contra seus vizinhos.

Desde então, mais de 6.000 pessoas morreram no conflito, principalmente no Irã e no Líbano.

A manutenção do cessar-fogo de duas semanas, que expira em 22 de abril, continua incerta.

O Paquistão, mediador nas negociações, pediu que a trégua seja respeitada, mas Estados Unidos e Irã não se pronunciaram sobre a medida.

“Muito perto” de um acordo

Os dois inimigos trocam acusações pelo fracasso das negociações, mas não consideram as conversações encerradas.

Segundo Trump, as negociações fracassaram porque o Irã não aceita renunciar ao desenvolvimento de armas nucleares, uma acusação desmentida por Teerã.

O presidente dos Estados Unidos disse que para ele “não importa” se os iranianos retornarão à mesa de negociações.

“Se não voltarem, para mim tudo bem”, declarou Trump aos jornalistas na base militar de Andrews, perto de Washington, ao retornar de um fim de semana na Flórida.

O Irã afirmou que as partes estavam “muito perto” de alcançar um acordo.

Para o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, um dos principais negociadores, o fracasso foi provocado pelo “maximalismo dos Estados Unidos”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, mencionou “um clima de suspeita e desconfiança” e considerou “evidente” que não seria possível alcançar um acordo “em apenas uma sessão”.

Ataques no Líbano

No Líbano, outra frente da guerra, os ataques continuam porque Israel considera o país excluído do acordo de cessar-fogo.

Nesta segunda-feira, o movimento islamista pró-Irã Hezbollah anunciou o lançamento de foguetes contra duas localidades israelenses próximas da fronteira.

O Ministério da Saúde libanês informou o balanço de quatro mortos em um ataque israelense contra a localidade de Maaraub (sul).

As vítimas se somam aos mais de 2.000 mortos desde que o Hezbollah arrastou o país para a guerra no início de março.

Libaneses e israelenses devem iniciar negociações na terça-feira em Washington.

*Com informações de Reuters e AFP