Os contratos futuros de petróleo recuam na manhã desta sexta-feira. Além de um movimento de realização de lucros, com investidores embolsando ganhos após altas recentes, pesa o crescente ceticismo sobre o acordo preliminar para controlar a produção entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep)

Às 8h12 (de Brasília), o petróleo WTI para novembro caía 0,48%, a US$ 47,60 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para dezembro, contrato mais líquido, tinha baixa de 0,64%, a US$ 49,49 o barril, na plataforma ICE, em Londres.

Os preços do barril subiram mais de 7% nas duas últimas sessões, após os membros da Opep anunciarem nesta semana um acordo preliminar para cortar a produção do grupo para entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris por dia, dos 33,2 milhões de barris por dia de agosto. Uma política mais definitiva, que inclui limites individuais para cada membro do cartel, será discutida e possivelmente ratificada na próxima reunião da Opep, em 30 de novembro em Viena.

Após o rali inicial, passaram a ganhar força as dúvidas sobre se o acordo de fato sairá, em meio a prolongadas tensões entre os integrantes da Opep. O Iraque já disse que não confia nos números de produção nos quais a Opep normalmente se baseia.

Analistas também mostram dúvidas diante do fato de que os membros do cartel no passado ignoravam cotas de produção, desrespeitando-as. “A Opep não tem como garantir o cumprimento das cotas”, disse Jonathan Chan, analista de energia da Phillip Futures.

O fato de que a Opep foi capaz de chegar a um consenso sobre um corte na produção foi visto como positivo para o mercado, mas os analistas não estão muito seguros de que isso resulte em uma produção em linha com a demanda, em um mercado com excesso de petróleo.

A corretora PVM diz que a Opep pode ter reafirmado sua relevância ao mostrar que ainda tem a capacidade de exercer influência no mercado da commodity. Para ela, porém, uma mudança de estratégia “pode não ser uma panaceia para o excesso de oferta global de petróleo”, alerta a corretora.

A disposição da Rússia de atuar em sintonia com os outros produtores também é uma dúvida. “Levem em conta que a maioria dos produtores de petróleo são empresas privadas e a lógica as motivaria a aumentar a produção em resposta a preços mais altos”, disse Mohab Kamel, operador da consultoria Magma Oil, sediada em Genebra. Os produtores de xisto dos EUA, cuja tecnologia permite um aumento rápido na produção, são outro fator a ser levado em conta.

Mesmo sem o corte coletivo, há sinais de desaceleração na produção global. A produção em Venezuela, Gabão, Índia, México e China tem desacelerado, em meio ao colapso nos preços iniciado em meados de 2014. A produção da Arábia Saudita também tende a diminuir, já que o reino realmente corta a produção no inverno local por causa da menor demanda para geração de energia. A BMI Research prevê queda diária de 360 mil barris na produção saudita entre agosto e novembro deste ano. Fonte: Dow Jones Newswires.