Os futuros de petróleo começaram a semana em baixa, com os investidores mostrando cautela na véspera do prazo final para o fechamento de um acordo sobre o programa nuclear do Irã. Ao mesmo tempo, ganhou força a avaliação de que é improvável que a recente série de ataques aéreos lançada pela Arábia Saudita e outros nove países no Iêmen cause interrupções no suprimento da commodity no Oriente Médio.

Pelo cronograma, Teerã e seis potências mundiais têm até amanhã para chegar a um entendimento sobre as ambições nucleares dos iranianos. Em caso de acordo, o Ocidente poderá relaxar sanções ao Irã, potencialmente elevando as exportações de petróleo do país.

“Se um acordo for alcançado, podemos esperar uma reação imediata de baixa nos mercados, com os preços do petróleo rapidamente perdendo algo em torno de US$ 5”, afirmou o Société Générale em relatório. O banco, no entanto, ressaltou que as sanções só poderão ser levantadas após a assinatura de um acordo definitivo, no final de junho. “Só então, o Irã começaria a aumentar a produção e as exportações gradualmente.”

Atualmente, o Irã exporta cerca de 1 milhão de barris por dia, mas sua produção superou 3 milhões de barris por dia em várias ocasiões ao longo do último ano. A ANZ Research calcula que os estoques iranianos devam superar 30 milhões de barris.

Na semana passada, as cotações do petróleo dispararam em reação à operação coordenada da Arábia Saudita e aliados no Iêmen contra insurgentes que tentam se consolidar no poder. Analistas, no entanto, dizem que eventuais problemas de oferta são cada vez mais improváveis, uma vez que o conflito ocorre em lugares distantes das áreas por onde passam navios petroleiros.

“O conflito no Iêmen não ameaça a produção saudita, a produção iemenita é pequena e sem importância, e o risco de uma interrupção dos embarques de petróleo…é considerado pequeno, devido à forte presença de forças bem treinadas dos EUA, Otan e de outros aliados”, comentou o Société Générale.

Às 8h48 (de Brasília), o Brent para maio recuava 1,21%, a US$ 55,73 por barril, na plataforma eletrônica ICE, enquanto na Nymex, o petróleo para o mesmo mês tinha queda de 1,49%, a US$ 48,14 por barril. Fonte: Dow Jones Newswires.