11/08/2015 - 8:18
O petróleo opera em baixa nesta terça-feira, com os investidores avaliando a decisão da China de desvalorizar sua fortemente controlada moeda, o que deve impactar o mercado da commodity, já pressionado pelo excesso de oferta global. A desvalorização encarece as importações de petróleo da China, lembram analistas. O yuan registrou sua maior queda diária em duas décadas, após o Banco do Povo da China desvalorizar a taxa de referência da moeda.
A desvalorização cambial pode afetar a demanda chinesa, num momento em que os preços já estão perto de mínimas no ano. “Outra medida surpreendente dos formuladores da política chinesa pegou os participantes do mercado de petróleo de surpresa nesta manhã”, disse Myrto Sokou, analista da Sucden Financial. “A desvalorização da moeda chinesa sugere uma possível desaceleração da demanda chinesa por petróleo no curto prazo.”
Outra notícia importante para o mercado é a divulgação do mais recente relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O grupo informou que sua produção em julho avançou para o maior patamar em três anos em julho, apesar do quadro de excesso de oferta global. O cartel de 12 países informou que seus membros produziram 31,51 milhões de barris ao dia em julho, seu maior nível desde maio de 2012 e acima da meta estipulada pela própria Opep, de 30 milhões de barris ao dia.
Às 8h15 (de Brasília), o petróleo para setembro recuava 1,65%, a US$ 44,22 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), enquanto o Brent para setembro caía 1,29%, a US$ 49,76 o barril na plataforma ICE, em Londres.
A queda na terça-feira ocorre após uma alta mais forte ocorrida na segunda-feira, quando o Brent subiu 3,7%, diante de especulações de que a Opep poderia convocar uma reunião de emergência para responder à baixa nos preços.
“Os preços estão perdendo parte de seus ganhos novamente nesta manhã porque não há ainda base sólida para qualquer recuperação prolongada nos preços, já que o grande excesso de oferta permanece acontecendo”, afirmou o Commerzbank em nota.
A produção de petróleo dos EUA está perto de sua máxima em vários anos, em cerca de 9,5 milhões de barris ao dia. Outros importantes produtores também estão produzindo em níveis recordes ou perto disso, como Arábia Saudita e Rússia, enquanto o Irã deve voltar ao mercado em breve, com a provável retirada parcial das sanções contra o país por seu programa nuclear. Fonte: Dow Jones Newswires.