Os preços do petróleo retrocederam nesta terça-feira em Londres e Nova York, um dia após uma forte alta, afetados pelos temores dos investidores sobre a crise orçamentária que parece agravar-se na zona do euro.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação do “light sweet crude” negociado nos EUA) para entrega em janeiro terminou em 84,11 dólares, uma queda de 1,62 dólar em relação a segunda-feira.

O WTI apagou assim grande parte dos lucros de segunda-feira (+1,97 dólares), obtidos em reação a tensões geopolíticas na península coreana e no Oriente Médio.

Em Londres, o barril de Brent do mar do Norte com o mesmo vencimento perdeu 1,42 dólar, a 85,92 dólares.

“Os temores sobre o plano de resgate da Irlanda, com a atenção do mercado agora centrada na Espanha, provoca uma aversão generalizada ao risco, afetando os preços do petróleo”, observou Matt Smith, da Summit Energy.

“Constata-se apenas uma pressão de vendas sobre o petróleo devido ao pessimismo geral dos mercados, o que não surpreende, dadas as más notícias” que se multiplicam, acrescentou.

Entretanto, segundo o analista, “não há nenhuma razão para vender abaixo dos 80 dólares” o barril, devido à evolução da demanda petrolífera mundial, o que permite que os preços da energia se mantenham relativamente bem.

Longe de acalmar os mercados, a aprovação de um plano de ajuda à Irlanda no domingo aumentou os temores de que a crise da dívida se propague principalmente à Espanha e Portugal. O euro, por sua vez, baixou nesta terça-feira de 1,30 dólar pela primeira vez desde a metade de setembro.

Um eventual agravamento da crise europeia “poderia envolver a aprovação de novas medidas de austeridade e, consequentemente, reduzir a demanda de petróleo”, afirmou, por sua vez, Andy Lipow, da Lipow Oil Associates.

Além disso, o encarecimento da moeda americana pesa fortemente sobre os preços das matérias-primas, cotadas em dólares, para os investidores munidos de outras moedas.

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