A tensão militar entre Estados Unidos e Irã escalou com novos ataques no fim de semana, elevando o risco sobre o transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz e impulsionando os preços do petróleo. Investidores acompanham de perto a rota estratégica, enquanto a Opep+ decidiu manter os atuais níveis de produção para outubro.

O que aconteceu

  • O petróleo sobe com a intensificação da escalada militar entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz.
  • Ataques envolvendo navios e petroleiros foram registrados, gerando preocupação com a segurança da principal rota de escoamento do petróleo global.
  • A Opep+ decidiu preservar os níveis de produção de outubro, interrompendo uma sequência de seis meses de aumentos.

O petróleo começou a semana em alta, com investidores voltando as atenções para o risco de novas restrições ao transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz. A região atravessa uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã, enquanto parte relevante do petróleo produzido no Golfo ainda consegue chegar ao mercado internacional. A alta segue a tendência observada na semana anterior, quando o petróleo fechou o dia em alta, encerrando uma semana de disparada com guerra e passagem por Ormuz.

Por volta das 10h10min desta segunda-feira (7), o Brent para novembro avançava 1,40%, a US$ 97,26 o barril, na ICE. O WTI para outubro ganhava 0,84%, negociado a US$ 92,25 na Nymex.

A pressão sobre as cotações aumentou após uma nova sequência de ataques no fim de semana. No sábado, forças americanas atingiram três petroleiros iranianos. A ação ocorreu depois de o Irã disparar mísseis balísticos contra dois navios de guerra dos Estados Unidos. Segundo o Comando Central americano, as embarcações não foram atingidas e não houve feridos. Esta escalada já havia sido prevista, com ataques dos EUA e Irã intensificando e o Estreito de Ormuz fechando, elevando o petróleo em outras ocasiões.

Outro episódio envolvendo um navio comercial foi registrado pelo Omã. O país informou ter retirado 16 tripulantes do petroleiro Sidr, de propriedade saudita, depois de um ataque atribuído ao Irã.

Por que a tensão cresce no Estreito de Ormuz?

A sequência de incidentes amplia a preocupação com Ormuz porque a passagem marítima é historicamente responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% da oferta mundial de petróleo. O Irã também ameaçou estabelecer uma nova área de navegação restrita em meio ao confronto.

Apesar das interrupções e dos ataques, carregamentos dos produtores árabes continuam atravessando a região. O Wall Street Journal informou na semana passada que os Estados Unidos vêm auxiliando esses países a manter o escoamento por Ormuz. Ao mesmo tempo, o bloqueio naval americano impede as exportações iranianas pelo Golfo Pérsico desde julho.

O posicionamento dos investidores também mudou com o agravamento do conflito. Na semana passada, aumentaram as posições líquidas compradas em Brent. O movimento, porém, ocorreu principalmente porque operadores reduziram apostas na queda da commodity, e não por uma entrada expressiva de novas posições esperando preços mais altos.

Opep+ e o cenário da oferta global

Fora do Oriente Médio, a oferta ganhou outro sinal de estabilidade no domingo. Integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados decidiram preservar em outubro os atuais níveis de produção. A decisão interrompe uma sequência de seis meses de aumentos.

 

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