04/01/2016 - 19:12
Os preços do petróleo fecharam em baixa nesta segunda-feira, 4, em dia marcado pela volatilidade. Os preços tiveram altas fortes pela manhã, em reação ao anúncio, feito neste domingo, de que a Arábia Saudita rompeu relações diplomáticas com o Irã. As máximas do dia foram em US$ 38,39 por barril em Nova York, com alta de 3,64%, e em US$ 38,99 por barril no caso do petróleo Brent (+4,58%). Eles passaram a recuar depois da divulgação de um informe sobre o nível dos estoques norte-americanos.
O rompimento de relações diplomáticas entre dois dos maiores produtores de petróleo do mundo, ambos membros da Opep, foi anunciado um dia depois de a embaixada saudita em Teerã ser atacada por manifestantes iranianos, no sábado, em reação ao anúncio de que o governo saudita havia executado 47 dissidentes, entre eles o respeitado clérigo xiita Nimr al-Nimr. Isso fez crescerem ainda mais as tensões entre a monarquia sunita e a república xiita, que já estavam em confronto direta ou indiretamente em lugares como Síria, Bahrein e Iêmen.
“Se a situação entre os dois países se tornar mais conflituosa, isso poderá levar a uma alta forte dos preços do petróleo”, comentou o analista Naeem Aslam, da AvaTrade. Um dos fatores para as quedas recentes dos preços é a expectativa de que os EUA e seus aliados revoguem neste ano as sanções econômicas que haviam sido impostas ao Irã por causa de seu programa nuclear. Quando as sanções forem revogadas, o Irã já disse que pretende aumentar suas exportações de petróleo em pelo menos 500 mil barris por dia.
Para o analista Gao Jian, da SCI International, “qualquer conflito entre dois produtores importantes de petróleo e a possibilidade de interrupções na cadeia de oferta do produto sempre geram alguma reação psicológica nos preços. Mas uma razão mais importante para os preços subirem hoje é a incerteza sobre como esse conflito poderá afetar a esperada revogação das sanções contra o Irã. Qualquer possibilidade de adiamento ou de cancelamento da proibição às exportações iranianas será positiva para os preços”.
Tyler Richey, um dos editores do The 7:00’s Report, disse que “é improvável que a Arábia Saudita e o Irã entrem em guerra, o que seria realmente a única maneira de essa turbulência política puxar os preços substancialmente para cima”. “Nada mudou fundamentalmente e os produtores deverão continuar, no futuro previsível, a produzir petróleo em níveis próximos de sua capacidade máxima”, acrescentou.
As preocupações quanto ao excesso da oferta global de petróleo voltaram a crescer à tarde, depois de a Genscape divulgar a seus clientes um relatório segundo o qual os estoques de petróleo bruto no centro de distribuição de Cushing (Oklahoma) “alcançaram o nível mais alto de todos os tempos na semana até 1º de janeiro”, superando por 347 mil barris o recorde anterior, da semana até 14 de abril de 2015. Os preços passaram a recuar depois da divulgação do relatório em versão reduzida.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para fevereiro fecharam em queda de US$ 0,28 (0,76%), a US$ 36,76 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para fevereiro recuaram US$ 0,06 (0,16%) e fecharam a US$ 37,22 por barril. Fonte: Dow Jones Newswires