Do lado de fora, é só mais um prédio novo em folha. Mas as arrojadas curvas da fachada do edifício, assinadas pelo renomado arquiteto francês Jacques Ripault, guardam o DNA da segunda maior montadora européia, a francesa PSA Peugeot Citröen. É ali, em uma construção último tipo na pequena cidade de Vélizy, distante 20 minutos de Paris, que a companhia desembolsou uma pequena fortuna, 130 milhões de euros, para montar o seu centro de design ? inaugurado no último dia 7. Basta ultrapassar a transparente porta de vidro, que separa os corredores do estacionamento, para entender a grandiosidade da iniciativa. A começar pelo nome: ?Automotive Design Network? ou simplesmente ADN. E qualquer semelhança não é mera coincidência. Apesar do verbete em inglês, a sigla ADN é a mesma nomenclatura usada na França para definir DNA. A escolha do nome foi proposital. Está claro para a montadora que o que a guindou da sexta posição há cinco anos para o segundo posto em 2003 foi justamente o charme dos seus automóveis, um item que ganhou tanta importância dentro do grupo a ponto de ser definido antes mesmo de questões ?mais triviais? como motorização, potência ou preço. ?O carro é uma escultura em movimento?, dispara Robert Peugeot, vice-presidente executivo de Inovação e Qualidade e membro da família controladora da companhia.

Peugeot tem lá sua razão. Quando Jean-Martin Folz ? homem que também reza a cartilha do design ? assumiu o posto de executivo-chefe do grupo, a PSA comercializava algo como 2 milhões de automóveis. Com investimentos de mais de 2 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento e modelos visivelmente mais modernos, a francesa pisou no acelerador. Sem perder o ritmo veloz com as subidas e descidas da economia mundial, atingiu vendas de 3,3 milhões de unidades no ano passado, o que lhe deu a vice-liderança européia. O segredo? O grupo garante que veio da riqueza dos seus produtos, cuja fórmula foi exibida há 15 dias em Vélizy. E o vice-presidente da montadora adverte: ?Essa foi a última vez que abrimos o nosso DNA?.

Basta pegar o elevador do centro de design, que é capaz de suportar até 5 mil quilos, para entender como funciona a nova Peugeot/Citröen. Depois de 27 meses em construção, o ADN tem tecnologias de ponta que servem às duas marcas, como salas que permitem visualizar o automóvel pronto em três dimensões e um terraço que serve para testar o protótipo pronto. Daí a importância do elevador e seus 5 mil quilos. ?Precisamos saber como o automóvel se comporta à luz do dia ou da noite?, afirma Peugeot. Há também a parafernália estrutural, capaz de causar inveja na maioria das montadoras da Europa. Só de cabos de fibra óptica são 200 quilômetros. Em salas digitais, são 25. Munidas de computadores de última geração, estas salas funcionam como células de criação para os desenhistas. Existem ainda 10 cabines de pintura, sem contar os 900 designers de 20 nacionalidades diferentes que trabalham no centro. Ao todo, Vélizy emprega 1,1 mil pessoas. Outro segredo do grupo está na sinergia das marcas. Cerca de 60% das peças e dos profissionais são comuns aos dois ícones do capitalismo francês. Elas se diferem justamente nos 40% restantes, quando o design entra na história. É o único momento em que Peugeot e Citröen viram, de fato, concorrentes.

2,1 bilhões de euros é quanto a PSA gasta por ano em pesquisa

130 milhões de euros foi quanto custou o centro de design