Com as receitas em queda com a crise do setor de óleo e gás, o  governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) se reuniu nesta  segunda-feira, 23, com a diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás  Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, para discutir  alternativas de investimentos em campos do pós-sal da Bacia de Campos.

A  região, que já representou mais de 80% da produção nacional, enfrenta  rápido declínio e hoje representa menos de 65% da produção total,  necessitando de mais recursos para recuperar a produtividade. No  encontro, o governador discutiu a concessão de áreas maduras para  empresas privadas. A ANP avalia o pedido da Petrobras para a renovação  antecipada da concessão de 260 blocos, alguns deles na Bacia de Campos,  sem leilão.

A avaliação do governador é que as áreas têm  sido preteridas pela estatal, focada em águas profundas do pré-sal.  ”Sabemos que a Petrobras hoje não está fazendo investimentos nesses  campos. São concessões que são do governo Fernando Henrique e estão  vencendo, tem oito, dez anos. Todos os técnicos e especialistas falam  que aí têm grande potencial de aumento de produção de petróleo se tiver  investimentos”, afirmou o governador, na manhã desta terça-feira.

Com  outras companhias, as áreas poderiam receber recursos para ampliar a  produção e gerar mais royalties. A proposta também foi levada à  presidente Dilma Rousseff pelo governador, que sinalizou com incentivos  às companhias que retomarem investimentos nos campos maduros.

“Levei  à presidente Dilma ideias de ativarmos mais a produção de petróleo no  pós-sal. Eu estou correndo atrás, porque não adianta eu ficar só atrás  de uma crise e ver o desemprego chegar. Estou preocupado. Há  oportunidades para que possamos ativar a economia”, completou Pezão.

A  proposta de renovação das concessões da Rodada Zero, de 1998, partiu da  ex-presidente da Petrobras Graça Foster no último ano. Um grupo de  trabalho foi criado na ANP para avaliar o pedido e os projetos  apresentados pela estatal para conter a redução da produção nos  principais campos produtores.

Segundo a diretora Magda  Chambriard, até o final do ano haverá uma definição sobre a renovação de  três blocos. Ela citou como exemplos os blocos de Araçás (BA), Ubarana  (RN) e Marlim (RJ), o quarto principal campo produtor do País.

Pesam  sobre a renovação requisitos como a apresentação de um Plano de  Desenvolvimento atualizado, informações sobre o estágio atual do campo,  novos investimentos previstos e as “motivações financeiras” para manter a  concessão.

Segundo Magda, a área de Marlim ainda teria  produção por “uma década” além de 2025. “A Petrobras no plano de  negócios do último ano previa duas unidades para Marlim até 2020, agora  só prevê uma. Mas a empresa tem uma receita de produção maior que dez  anos para justificar a renovação dos campos”, afirmou a diretora durante  evento em outubro.

Receitas

Caso as  concessões não sejam renovadas, há possibilidade de serem relicitadas em  novas rodadas. A Bacia de Campos, principal produtora do País, enfrenta  um rápido e severo declínio de produção. Nos últimos dois anos, a  região viu cair sua participação na produção nacional de 78% para 64%.  Em setembro, a produção nos campos de pós-sal caiu abaixo de 2 milhões  de barris diários pela primeira vez em dois anos.

Com a  menor produção, as receitas governamentais caíram. Ao longo do ano, com a  queda na cotação do petróleo e a redução de investimentos da Petrobras,  a arrecadação de royalties já recuou cerca de 30%, afetando Estados e  municípios.

No Rio, o governador indicou que há  dificuldades para pagar a folha de servidores e os fornecedores do  Estado. “Estamos lutando para cumprir nossos compromissos e estamos  pagando os salários religiosamente em dia, não atrasei um dia, e já  apaguei metade do décimo terceiro”, disse Pezão, ontem. Perguntado se  pagaria a segunda parcela do 13º salário do funcionalismo em dezembro,  respondeu. “É um dia de cada vez. Primeiro estou lutando para pagar  novembro.”