17/07/2010 - 23:31
O desastre ambiental causado pela maré negra no Golfo do México pode favorecer uma tomada maior de consciência sobre os perigos relacionados à dependência do petróleo, afirma Philippe Cousteau, neto do célebre explorador francês Jacques-Yves Cousteu.
“O que esse vazamento de petróleo nos ensina? Espero que nos lembre do verdadeiro custo de nossa dependência dos combustíveis fósseis “, explicou o ecologista, em uma entrevista à AFP.
“Espero que isso ajude a nos darmos conta de que temos que deixar os combustíveis fósseis e que existem alternativas. Espero que nos lembre que devemos repensar a forma como exploramos nossos oceanos.”
O neto do célebre comandante, que lidera o grupo ambientalista Earth Echo International e é chefe da seção marítima do canal a cabo Planet Green, tenta achar aspectos positivos do pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.
“Não se pode falar de um lado bom quando as pessoas estão sofrendo tanto. É um claro sinal dos problemas e espero que possamos aprender com este desastre para fazer frente a estes problemas e investir em ciência “, afirmou.
“Gastamos milhares de vezes mais dinheiro na exploração espacial que na exploração do oceano. Ter água em Marte não é decisivo para nosso planeta e sim conseguir que nossos oceanos permaneçam saudáveis”, enfatizou.
“Espero que as futuras gerações tenha uma verdadeira consciência e entendam que nossa forma de vida atual não é sustentável.”
Sem ser científico, o herdeiro da dinastia Cousteau acredita que seu trabalho como professor é ensinar ao público a importância do meio ambiente, especialmente dos oceanos. Ele prossegue no caminho iniciado por seu avô, que vagava pelos mares a bordo do famoso barco Calypso, e que teve continuidade através de seu pai Felipe, um oceanógrafo que morreu em 1979 durante um acidente com um hidroavião.
Depois da explosão da plataforma subaquática Deep Horizon e o começo da maré negra, o mais jovem Cousteau mergulhou literalmente nas águas contaminadas pelo petróleo.
“Botei um traje, peguei a câmara e desci. Tínhamos que mostrar o que estava acontecendo. Acho que eles (o pai e o avó) teriam feito a mesma coisa”.
Suas imagens foram exibidas pelos meios de comunicação de todo o mundo, principalmente pela CNN e ABC.
“O que me assustou foi que as pessoas ignoravam o que estava acontecendo debaixo da superfície”, explicou.
Durante este mergulho, disse ter visto “nossos piores temores virando realidade”. “Vi grandes nuvens de sopa tóxica, criadas pela mistura de petróleo e dispersantes”, acrescentou.
Durante os mergulhos, Philippe Cousteau e sua equipe usavam trajes especiais para proteção.
Durante as várias viagens ao Golfo de México, o neto de Jacques Cousteau, disse ter encontrado peixes e medusas mortas. O que viu, explicou, foi um desastre para toda a natureza, algo que necessitará de anos de limpeza, mesmo que o grupo BP consiga deter o vazamento de óleo.
Ante o anúncio de que a BP teria conseguido, pelo menos nos últimos três dias, deter o vazamento, Cousteau neto foi enfático:
“Todo mundo está cruzando os dedos. Mas o final ainda está muito longe”, alertou.
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