Nesta terça-feira, 2, será divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil referente ao segundo trimestre do ano de 2025. Após o crescimento de 1,4% nos três primeiros meses do ano, a expectativa é que os números confirmem o início de uma desaceleração da economia brasileira.

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Para essa divulgação do PIB, o mercado espera uma alta de até 0,5%, na comparação com o trimestre anterior.

O economista Rodolfo Margato, da XP, avalia que a maioria dos setores vem perdendo força em meio ao aperto da política monetária e, por sua vez, o aumento contínuo da renda sustenta um cenário de desaceleração gradual.

A expectativa da XP é de 0,2% de alta no PIB do 2º trimestre, que deve ser seguida por 0,5% de alta no terceiro trimestre e fechar o ano completo então com 2,2% de crescimento econômico.

“Pelo lado da oferta, a agropecuária deve registrar uma queda relativamente modesta no 2º trimestre, após forte avanço no 1º trimestre, ainda refletindo a safra recorde de grãos. Os setores da Indústria e de Serviços devem mostrar crescimento moderado, com sinais majoritariamente positivos entre seus componentes”, analisa Margato.

“Pelo lado da demanda, a absorção doméstica ficou praticamente estável no 2º trimestre, já que a contração da Formação Bruta de Capital Fixo deve ter compensado o avanço do Consumo das Famílias e do Consumo do Governo. Já a contribuição do Setor Externo foi positiva no 2º trimestre em comparação ao trimestre anterior, embora continue negativa na comparação anual”, completa.

O Banco Daycoval projeta um crescimento maior no PIB do 2º trimestre, de 0,5%, em linha com o cenário de desaceleração gradual ao longo de 2025.

“O setor de Serviços deve mostrar resiliência, puxada sobretudo por Transportes e logística (efeitos secundários da safra recorde e retomada do transporte rodoviário); a Indústria deve perder fôlego, com desempenho mais fraco da indústria de transformação; o Agro deverá seguir positivo, porém desacelerando em relação ao primeiro trimestre”, diz o Departamento de Pesquisa Econômica do banco.

O time de macroeconomia do Itaú, liderado pelo economista-chefe da casa, Mario Mesquita, projeta 0,2% de crescimento econômico, de olho em um ajuste sazonal e estimando que  setor agropecuário deve se manter como destaque positivo, com crescimento de 9,8% na base anual.

“Pelo lado da demanda, tanto o consumo das famílias quanto o investimento devem ter desacelerado. Estimamos que o consumo mostre avanço de 1,8% no 2T25 (ante 2,6% no 1T25), enquanto os investimentos devem ter aumentado 4,7% (versus 9,1% no 1T25)”, diz a análise.

Expectativa de economia mais fraca ao fim do ano

Mesquita, do Itaú, declarou em coletiva de imprensa nesta semana que a visão é de um PIB de 2,25% no acumulado de 2025, com um mercado de trabalho ainda bastante aquecido nos próximos meses, o que sustenta o consumo e mitiga o risco de recessão mais profunda, uma ‘parada brusca’ na atividade econômica.

“Desaceleração, sim. A gente deve ter um segundo semestre com uma economia bem mais fraca do que no início do ano, mas a resiliência do consumo mitiga o risco de um cenário mais agudo de desaceleração”, explica o economista-chefe.

Para 2026, a expectativa é de 1,5% de crescimento na atividade, mas com viés de alta, dado que se trata de um ano eleitoral, com prováveis estímulos tanto do Governo Federal quanto de governos estaduais.

Pressão dos juros altos

Rafael Perez, economista da Suno Research, endossa a tese, também vendo um ‘crescimento bem menor’, em partes por conta do efeito de base de comparação, mas também em razão da “política monetária restritiva”.

A taxa básica de juros permanece estacionada em 15% ao ano e  presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse na última quarta-feira que a Selic deve permanecer por período prolongado nesse patamar.

O especialista ainda aponta para um endividamento considerado ‘muito elevado’ das famílias, o que deve funcionar como um limitador de consumo e, por consequência, de atividade.

Em conjunto com isso, ainda há o que considera um ‘certo esgotamento dos impulsos da política fiscal’.

“Por mais que a gente tenha tido alguns estímulos do governo, me parece que esses estímulos vêm cada vez menos tendo efeitos positivos sobre a economia, vem se esgotando. Esses impulsos que a gente viu muito forte ano passado, e me parece que agora esses impulsos vêm perdendo força. A questão fiscal vem sendo uma pedra no sapato, vem sendo um desafio a mais pro governo.”

A projeção da Suno é de um PIB de 2,3% para esse ano e de 1,8% para ano que vem, com mais efeitos da política monetária restritiva sendo sentidos.

Marcelo Bolzan, planejador financeiro, MBA em Economia e sócio da The Hill Capital, também sinaliza para um segundo semestre de desaceleração por conta da Selic, dado que o efeito dos juros e da política monetária tende a surtir efeito cerca de 9 meses após as decisões.

“Esses juros elevados vão trazer também dados piores de emprego. O nível de desemprego do país, que hoje está baixíssimo – e foi uma grande surpresa – tende a aumentar no segundo semestre.”

Nesse sentido a expectativa é de uma taxa de desemprego subindo para 6,5%, e um PIB fechando em 1,9% neste ano.