O PicPay, na esteira da sua estreia da bolsa de valores de Nova York, aparece liderando o ranking de reclamações de instituições financeiras, elaborado pelo Banco Central (BC) – autarquia que regula bancos e instituições financeiras.

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No total, foram mais de 3,7 mil reclamações do PicPay, segundo o levantamento do Banco Central. Com esse volume, a companhia fica atrás apenas do Bradesco, com 4,8 mil reclamações.

O PicPay fica no topo do ranking, ainda assim, por conta da metodologia utilizada pelo Banco Central.

O ranking é elaborado com base nas reclamações registradas por cidadãos nos canais de atendimento do BC, que incluem o sistema online Fale Conosco, o telefone 145 e o envio de correspondências.

A partir desse volume, o BC seleciona uma amostra das reclamações que já receberam resposta das instituições citadas. Quando há indício de descumprimento de normas, a reclamação é classificada como procedente e passa a contar para o ranking.

Participam do ranking bancos (comerciais, múltiplos, cooperativos e de investimento), sociedades de crédito, financiamento e investimento (SCFI), instituições de pagamento e administradoras de consórcio.

A divulgação é dividida em duas categorias.

A primeira reúne bancos, financeiras e instituições de pagamento. Esse ranking é publicado trimestralmente e traz duas listas: o Top 15, que inclui as quinze instituições com maior número de clientes, e a relação das demais instituições que tiveram trinta ou mais reclamações procedentes no período. Também é possível consultar quais instituições ficaram abaixo desse volume.

A segunda categoria reúne as administradoras de consórcio. Nesse caso, o ranking é divulgado semestralmente e inclui todas as empresas que registraram seis ou mais reclamações procedentes no intervalo analisado. A lista das administradoras com número inferior a esse patamar também pode ser consultada.

Veja o ranking de reclamações

  1. PicPay: índice 55,52 | 3.718 reclamações procedentes | 66.970.524 clientes
  2. Banco C6: índice 51,92 | 1.738 reclamações procedentes | 33.467.101 clientes
  3. Bradesco: índice 43,89 | 4.849 reclamações procedentes | 110.474.071 clientes
  4. Neon Pagamentos IP: índice 39,59 | 1.031 reclamações procedentes | 26.033.974 clientes
  5. Inter: índice 39,23 | 1.647 reclamações procedentes | 41.962.921 clientes
  6. Mercado Pago IP: índice 38,66 | 2.661 reclamações procedentes | 68.819.314 clientes
  7. Itaú: índice 36,24 | 3.636 reclamações procedentes | 100.321.592 clientes
  8. BTG Pactual / Banco PAN: índice 33,67 | 901 reclamações procedentes | 26.750.691 clientes
  9. PagSeguro: índice 32,09 | 1.090 reclamações procedentes | 33.963.849 clientes
  10. Santander: índice 27,29 | 1.929 reclamações procedentes | 70.689.072 clientes
  11. Caixa Econômica Federal: índice 17,23 | 2.724 reclamações procedentes | 158.055.739 clientes
  12. BB: índice 16,22 | 1.330 reclamações procedentes | 81.983.236 clientes
  13. 99Pay IP: índice 16,00 | 418 reclamações procedentes | 26.108.586 clientes
  14. Nu Pagamentos: índice 12,04 | 1.350 reclamações procedentes | 112.017.464 clientes
  15. CloudWalk IP: índice 6,43 | 102 reclamações procedentes | 15.824.756 clientes

O que dizem os bancos e instituições financeiras

Contatado pela IstoÉ Dinheiro, o PicPay informa que ‘acompanha de perto todas as manifestações registradas junto ao Banco Central e trabalha continuamente para aprimorar seus produtos e serviços’.

“A companhia destaca que oferecer um atendimento de excelência é prioridade e reafirma seu compromisso em proporcionar a melhor experiência aos clientes em todos os seus canais”, diz a empresa.

O C6 Bank diz que ‘vem trabalhando continuamente para prestar um atendimento de qualidade ao cliente e reduzir o número de reclamações’.

“O banco analisa as manifestações registradas e identifica, com base nessas informações, oportunidades de melhoria em seus produtos, serviços e canais de relacionamento, sempre com o compromisso de oferecer um suporte efetivo”.

Entenda o IPO do PicPay

O banco digital PicPay fez um pedido formal no dia 5 de janeiro para realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Nasdaq, nos Estados Unidos, no que deve ser a primeira operação do tipo de uma empresa brasileira desde o Nubank, em dezembro de 2021.

A operação pode somar US$ 500 milhões, de acordo com fontes.

A expectativa é que a oferta aconteça ainda este mês, com as apresentações para investidores (roadshows) começando por volta do dia 20 e a definição do preço da ação acontecendo na semana final de janeiro, em caso de condições de mercado permitindo. Se a operação for concretizada, a ação seria negociada sob o ticker “PICS”.

A operação já nasce ancorada, ou seja, com pedido firme de compra, com US$ 75 milhões do fundo Bycicle, de Marcelo Claure, ex-gestor do Softbank e que também investiu no Nubank e no Inter. A listagem prevê a emissão de novas ações Classe A. Com isso, a J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Bastista, continuará no controle do PicPay.

No prospecto, que está na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de ações dos EUA), o PicPay destaca a rentabilidade do grupo em expansão, que já entrega 17% de retorno (ROE, na sigla em inglês) e lucro avançando mais de 80% nos primeiros 9 meses de 2025, somando R$ 314 milhões, além de expansão forte de carteira de crédito. O banco digital chegou ao breakeven, quando deixa de dar prejuízo e passa a dar lucro, há um ano.

O banco possui cerca de 66 milhões de clientes, com carteira de crédito de R$ 19 bilhões e receitas de R$ 7,2 bilhões. Os recursos captados serão usados para investir no próprio negócio.

O PicPay chegou a registrar na SEC pedido de IPO em abril de 2021, mas adiou o processo sucessivamente após enfrentar dificuldades para obter com investidores um valor que considerasse justo.