A americana Pilgrim’s Pride, controlada pelo grupo brasileiro JBS, desistiu oficialmente de comprar a Hillshire Brands. A decisão foi tomada depois de a Tyson Foods, que disputava o controle da Hillshire, elevar a oferta pela empresa de US$ 50 para US$ 63 por ação nesta segunda-feira 9. No breve comunicado que a JBS divulgou nesta manhã, a ofensiva da Tyson é citada explicitamente como o motivo da desistência.

“Com foco em aquisições disciplinadas e visando o melhor interesse de nossos acionistas, determinamos não aumentar o preço proposto de US$ 55 por ação em espécie”, afirmou o presidente da Pilgrim’s, Bill Lovette, no documento. “A Pilgrim’s manterá o foco em excelência operacional e geração de valor aos acionistas, enquanto buscamos oportunidade de aquisições que nos permitam avançar em nossa estratégia”, completou.

A empresa do Grupo JBS entrou em campo em 28 de maio para comprar a Hillshire. A oferta inicial era de US$ 45 por ação, que seriam pagos em dinheiro. Naquele momento, a transação totalizava US$ 6,4 bilhões. Um dia depois, a Tyson Foods, uma das maiores processadoras de carne dos Estados Unidos, anunciou que também disputaria o controle da Hillshire, com uma oferta de US$ 50 por ação, o que alcançaria US$ 6,8 bilhões.

Expansão acelerada

Na época, a Pilgrim’s justificou sua empreitada lembrando que a Hillshire era uma das maiores processadoras de carne industrializada dos Estados Unidos e dona de marcas famosas por lá, como a Sara Lee. Juntas, as empresas somariam um faturamento de US$ 12,4 bilhões, ante os US$ 8,4 bilhões que a Pilgrim’s gerou de receitas no ano passado. O baixo crescimento orgânico da companhia da família Batista, aliás, era o principal motivador para a ofensiva sobre a Hillshire, já que o faturamento de 2013 ficou muito próximo dos US$ 8,1 bilhões do ano retrasado.

No início de junho, diante da pressão da Tyson, a Pilgrim’s elevou a oferta para US$ 55 por ação, totalizando US$ 7,7 bilhões. Os analistas, porém, não gostaram do movimento e consideraram que o Grupo JBS corria o risco de pagar muito caro pela companhia. A desconfiança com o negócio levou os papéis da JBS, controladora da Pilgrim’s, a apanhar na Bolsa de Valores de São Paulo desde que a briga pela Hillshire começou. Entre o lançamento da oferta, em 28 de maio, e a última sexta-feira 6, as ações ordinárias (JBSS3) da companhia chegaram a perder 6% de valor em seu pior momento, na quinta-feira 5, quando fecharam cotadas em R$ 7,39.

Mercado contra

A maior preocupação dos analistas era com o possível endividamento que o Grupo assumiria para comprar a Hillshire. Para acalmá-los, a JBS chegou a garantir que não colocaria nenhum tostão da matriz no negócio, que seria totalmente assumido pela Pilgrim’s. No comunicado desta segunda-feira, a empresa afirma que contava com garantia firme de financiamento para concluir o negócio, se fosse o caso, de um consórcio de bancos liderados pelo Wells Fargo, Credit Suisse Securities e Barclay’s, entre outros.

A resposta do mercado à desistência da Hillshire foi imediata. No início do pregão desta segunda-feira 9, os papéis da JBS lideravam a alta do Ibovespa, o principal indicador da bolsa brasileira, com valorização de 3,63%, cotados a R$ 7,71.