Uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) pode redesenhar o perfil dos rincões brasileiros. A partir de 1º de outubro, acaba o privilégio dos postos de atendimento bancário pioneiros, instalados em pequenos municípios, de não recolherem diariamente ao Banco Central o equivalente a 45% do total de depósitos à vista em contas correntes. Nestas cidades é comum haver apenas um posto ou agência em operação, quase sempre do Banco do Brasil. São unidades que se acostumaram a usar na ciranda financeira o dinheiro que não ia para o BC. Com os ganhos, cobrem seus próprios custos, como aluguel e salários. Sem a receita extra, a ser confiada ao BC, os prejuízos na operação podem acarretar muitos fechamentos. ?Acabamos com a última distorção que havia no sistema de compulsórios?, acredita o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy. ?Não é função do BC dar vantagens a nenhum tipo de agência.?

Dos cerca de 2 mil postos ou agências pioneiras, 773 são do Banco do Brasil, 104 pertencem ao Bradesco, 12 à Caixa Econômica Federal e o restante a outras 30 instituições. No caso dos bancos estatais, muitas vezes o desembarque nas cidades carentes obedeceu a pressões de políticos. Agora, eles defendem a velha ordem. ?Na minha região, vamos fazer uma caravana de prefeitos para ir a Brasília e manter as agências abertas?, anuncia José Idelbrando Ferreira, prefeito de Arinos, cidade mineira com 19 mil habitantes, a 720 quilômetros de Belo Horizonte. Ali, uma única agência do Banco do Brasil é responsável pelo pagamento dos 358 funcionários municipais, o repasse de verbas federais que somam anualmente R$ 1,9 milhão e, ainda, o pagamento de R$ 2,1 milhões por ano em pensões a dois mil aposentados. A grita ecoa em outras plagas. ?Vamos ao Congresso para garantir as agências?, promete Francini Girão, prefeito da cearense Morada Nova, com 65 mil habitantes, a 165 quilômetros de Fortaleza.

A pressão já faz efeito. A nova regra do CMN vai vigorar, inicialmente, apenas para os 597 postos de atendimento bancário das pequenas cidades, mas a diretoria do Banco do Brasil enviou pedido ao BC pelo adiamento na execução das medidas. O pleito está sendo analisado. Quanto às 1.350 agências pioneiras, com status superior, só terão de se adaptar em 2003. Mesmo assim, parece que os tempos, agora, são outros. Na Caixa corre um estudo de viabilidade das pioneiras. ?O resultado vai indicar se haverá ou não fechamentos?, diz Celina Lopes, superintendente nacional de Produtos e Pessoa Física. No Banco do Brasil existe idêntica disposição. ?Cada posto ou agência pioneira terá de apresentar um plano de corte de custos ou aumento de receita?, diz o diretor da área de Varejo do BB, Marcelo Gomes Teixeira. ?Quem não conseguir uma solução vai ter de fechar as portas.?