A maior empresa nacional não poderia ser econômica na hora de entrar na internet. Nos próximos quatro meses, a recém-inaugurada subsidiária Petrobras Negócios Eletrônicos S/A, e-Petro, dará o pontapé inicial no maior portal de compras do Brasil. O e-marketplace, que também terá a participação das grandes Commerce One, SAP e da consultoria Accenture, pretende se tornar em cinco anos o principal canal por onde a gigante irá adquirir os equipamentos necessários para novas operações e para a manutenção das suas atividades. Nele, as mais de 40 unidades da corporação irão adquirir bombas, válvulas, caldeiras e fornos de mais de 450 fornecedores. Completados cinco anos, o volume de transações poderá ultrapassar os US$ 6 bilhões. ?Pelo que tenho notícia este será o maior portal de compras do Brasil?, diz o analista de internet do IDC Frederico Thompson.

Comparar os dados da Petrobras com os números da internet nacional chega a ser covardia. Depois de um ano de funcionamento, espera-se que cerca de 15% do orçamento para esse tipo de compras esteja sendo feito pelo portal. A conta dá pouco mais de US$ 1 bilhão. ?Só uma unidade de tratamento de enxofre custa
US$ 250 milhões?, justifica o coordenador do projeto Carlos Aguiar Teixeira. O valor é superior a tudo o que foi movimentado no varejo on-line brasileiro no ano passado, incluindo as vendas de automóveis e de pacotes de turismo pela rede. Mais: segundo o IDC, as empresas brasileiras transacionaram um total de US$ 4 bilhões eletronicamente no ano passado. Até na hora de economizar os números surpreendem. ?Só com o aumento de eficiência nos processos de compra esperamos uma redução de US$ 10 milhões a US$ 12 milhões nos custos em cinco anos?, diz Aguiar.

Porém, por mais que o plano de negócios esteja bem
fundamentado, quando o assunto é internet sempre paira o fantasma do fracasso. Num prazo máximo de dois anos, a Embratel desistiu de seu portal de compras BcomB, que visava a compra de materiais de papelaria, acessórios de informática e outros utensílios. A Vale do Rio Doce não levou adiante a idéia do portal Valepontocom e a dupla Bradesco e Votorantim ainda não conseguiu tirar o Latinexus do papel. Entre os problemas enfrentados está a ingrata união dos sistemas computacionais adotados por diferentes companhias, fornecedores e compradores. Além disso, nem sempre elas estão suficientemente familiarizadas com o comércio eletrônico para ingressar numa iniciativa deste tipo. Neste cenário de tragédia grega, os planos da Petrobras prevêem uma integração lenta e gradual dos demais participantes. Neles, 30% do volume de compras estará sendo feito eletronicamente no segundo ano de funcionamento e 80% no quinto. ?Optamos por trabalhar com uma taxa de adoção bastante conservadora?, diz Aguiar, da Petrobras. A seu favor, a empresa poderá usar sua própria força. ?A Petrobras pode escolher qualquer plataforma de compras para utilizar que todos os fornecedores irão fazer o possível para adotá-la?, diz Fernando Meireles, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. ?A meu ver, o ingresso dos demais vai depender diretamente de quão compulsório ele for encarado pela própria Petrobras?.