19/12/2012 - 21:00
Há um segmento no Brasil com uma demanda reprimida enorme, com um grande potencial de lucro, capaz de oferecer garantia de fluxo de caixa de até 30 anos. Trata-se do setor de saneamento, que conta com um marco regulatório estável, e um caminhão de dinheiro público, pronto para ser despejado nos municípios que pretendam investir. Nada menos que R$ 41 bilhões estão disponíveis, através do PAC Saneamento, até 2014. Mesmo com esses atrativos, o interesse dos investidores estava aquém do necessário. Estava, garantem os mais otimistas, pois o assunto ganhou de vez a atenção da iniciativa privada, que aumenta a pressão para dar velocidade às obras do setor.

Água limpa: empresários pressionam o governo para reduzir os gargalos em saneamento,
que tiram a competitividade industrial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, propõe a criação de incentivos para aumentar a atração de investidores, e assim sanar gargalos que comprometem a economia como um todo. “Diversas atividades industriais são sensíveis à falta de saneamento”, diz José Augusto Fernandes, diretor de políticas e estratégia da CNI. “Onde não há tratamento de água, por exemplo, indústrias alimentícias precisam investir para deixar o insumo em condições adequadas.” Hoje há cerca de 15 entidades de classe mobilizadas para alterar as vergonhosas estatísticas brasileiras. Somente 46% da população tem esgoto tratado no País, um quadro que se explica pelo baixo investimento: cerca de R$ 8 bilhões anuais, quando a necessidade é de R$ 17 bilhões.
A presença pulverizada de empresas públicas e a falta de fiscalização deixam o tratamento de água e esgoto no último lugar da fila das prioridades dos prefeitos, como demonstrou a pesquisa de Informações Básicas dos Municípios (Munic), divulgada pelo IBGE, no mês passado: 70% das cidades brasileiras não têm um projeto consistente para cuidar do assunto. Em 2007, o governo federal criou um marco regulatório, que obriga os municípios a terem um plano de saneamento. A adesão ainda é baixa, mas o governo sinaliza com corte de verbas para quem não fizer a lição de casa. Com o cerco se fechando para a ineficiência, novas companhias começam a ingressar no mercado, como a OAS Soluções Ambientais, divisão da construtora OAS, que deve disputar o mercado de concessões públicas, e projeta um faturamento de R$ 700 milhões anuais.

Besse, da Cab Ambiental: dobro do faturamento em 2012 e um novo ciclo
de crescimento com a transição de prefeitos
A companhia ganhou, neste ano, a concessão de prestação de serviços na cidade paulista de Araçatuba e disputa outras 15 cidades pernambucanas. Também o fundo P2Brasil, formado pela Pátria Investimentos e pelo Grupo Promon, estreou a Nova Opersan Soluções Ambientais, para oferecer o tratamento de efluentes a empresas privadas. Segundo Newton Cardoso, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib), o setor vive um momento favorável. “Uma porta está sendo aberta, com o apoio da iniciativa privada”, diz Cardoso. Ele lembra que há recursos baratos dos bancos públicos, bem como as debêntures incentivadas para infraestrutura, o que cria um ambiente propício para os investidores.
A nova safra de prefeitos, que assume a partir do ano que vem, é outra oportunidade importante, avalia Yves Besse, presidente da CAB Ambiental, que dobrou o faturamento da companhia neste ano, com a conquista de quatro novas concessões. “A transição nas prefeituras abre um novo ciclo de crescimento”, afirma Besse. O Ministério das Cidades garante que fará a sua parte, premiando os municípios mais eficientes com a liberação rápida de novos recursos. A má qualidade de projetos das prefeituras na hora de solicitar recursos é um entrave. Para driblar essa dificuldade, o governo federal já liberou quase R$ 600 milhões para que os prefeitos contratem consultorias especializadas na preparação de projetos. Com todos os agentes jogando a favor, o País tem condições de fazer vários gols contra a baixa eficiência que se viu até aqui.
