22/01/2016 - 16:48
O líder do partido de esquerda radical Podemos, Pablo Iglesias, propôs nesta sexta-feira a formação de um governo com o Partido Socialista (PSOE), colocando a esquerda um pouco mais perto do poder na Espanha, depois das eleições de 20 de dezembro.
Iglesias afirmou à imprensa ter comunicado ao rei Felipe VI “nossa vontade de formar um governo de mudança com o PSOE e a Esquerda Unida (IU, eco-comunistas)”, ao mesmo tempo em que pediu para exercer a vice-presidência do potencial governo.
Sua proposta foi recebida com certa reticência pelo líder socialista, Pedro Sánchez, que considerou que primeiro é preciso falar de programa e de políticas, mas admitiu que é importante tentar alcançar um acordo.
“Os eleitores do Podemos não compreenderiam, assim como os eleitores socialistas, o fato de não nos entendermos”, declarou Sánchez, que reiterou sua oposição a empossar o chefe de governo em fim de mandato, o conservador Mariano Rajoy.
Iglesias não havia revelado até agora sua posição, que parece abrir caminho para uma aliança de esquerdas na Espanha, à imagem da que chegou ao poder em Portugal em novembro.
A oferta do Podemos parece mais viável pelo fato de que aparentemente abandonou a exigência de um referendo de autodeterminação na Catalunha (nordeste) como condição para apoiar os socialistas, que se opõem à consulta.
No entanto, argumentou que “defendemos que na Catalunha seja feito um referendo, entendemos que esta proposta precisa ser colocada em discussão com outras” nas eventuais negociações com os socialistas.
O terceiro parceiro deste hipotético governo, o líder do IU Alberto Garzón, pediu para que seja iniciado um diálogo para a formação “de um governo de mudança” como em Portugal e na Grécia.
“A periferia europeia foi massacrada pela política de austeridade da União Europeia e da troika” (UE-FMI-credores)”, criticou Garzón.
As eleições legislativas de 20 de dezembro deixaram um Parlamento muito fragmentado. O Partido Popular, no poder desde 2011, obteve apenas 28,7% dos votos, e com seus 119 assentos enfrenta grandes dificuldades para formar um governo, embora Rajoy tenha mostrado sua disposição em ser o primeiro a se submeter a uma sessão de investidura.
Diante disso, o Partido Socialista (22% dos votos e 89 deputados) descartou desde o início um acordo com o PP, e mostrou sua predileção por uma aliança com o Podemos e seus aliados (20,6%, 65 deputados), e com os dois deputados do Esquerda Unida, o que daria a esta aliança 156 assentos.
No entanto, a aliança de esquerdas também precisaria do apoio de nacionalistas catalães ou bascos, caso os 40 deputados centristas do Cidadãos – que por enquanto se inclinam à abstenção – decidam apoiar ativamente Rajoy e seus 119 legisladores.
Iglesias pediu “responsabilidades de governo centrais e fundamentais” como Assuntos Exteriores ou um novo ministério de “plurinacionalidade” para sua formação, assim como a entrada no executivo do IU.
O líder do Podemos pediu a aprovação de medidas de ajuda social, com o objetivo de, entre outras coisas, frear os despejos e dar suporte aos desempregados, assim como medidas de luta contra a corrupção, uma reforma da justiça e do sistema eleitoral.
Iglesias e Sánchez se reuniram pela manhã com o rei Felipe VI, no âmbito da rodada de consultas realizadas pelo monarca para propor um candidato para formar um governo.
Após estes encontros, o rei se encontrou com o chefe de governo em fim de mandato, Mariano Rajoy.