A polícia de Baltimore patrulhava nesta terça-feira as ruas ainda cheias de destroços e fumaça e onde manifestantes demonstraram sua revolta durante a madrugada quando carros foram queimados e lojas saqueadas após a realização do enterro de um jovem negro morto por policiais.

Os incêndios foram controlados lentamente ao longo da manhã nesta cidade de maioria negra, localizada no noroeste dos Estados Unidos e que conta com inúmeros bairros carentes. Um toque de recolher foi instaurado a partir desta terça-feira, das 05H00 às 22h00 horas local, por uma semana.

A prefeita de Baltimore anunciou na noite de segunda-feira que a Guarda Nacional foi convocada para enfrentar os protestos.

A decisão foi tomada logo após o governador do estado de Maryland, Larry Hogan, declarar situação de emergência em Baltimore, abrindo caminho para a convocação da Guarda Nacional para esta cidade de 620 mil habitantes.

As aulas foram suspensas nesta terça-feira.

Os novos episódios de violência em Baltimore ocorreram após o enterro de Freddie Gray, que morreu no hospital com traumatismos depois de ser detido pela polícia.

Os manifestantes, reunidos em pequenos grupos, percorreram as ruas da cidade saqueando lojas e destruindo veículos, incluindo carros da polícia. Várias pessoas invadiram um shopping e roubaram as lojas do centro comercial.

O coronel da polícia Darryl De Sousa informou que os distúrbios deixaram ao menos 15 feridos e 27 detidos.

“Agora mesmo estamos vendo um tipo de violência sem precedentes através da cidade. Principalmente na região leste de Baltimore”.

De acordo com o capitão Eric Kowalczyk, da polícia de Baltimore, um policial ficou inconsciente e outros sofreram fraturas com uma verdadeira chuva de pedras e garrafas lançadas pelos manifestantes.

Imagens feitas de helicópteros por redes de TV mostraram a multidão atirando cones, garrafas e lixeiras contra policiais, antes de quebrar vidraças e saquear lojas.

Também revelaram o incêndio em um centro de atendimento a idosos em construção, sem precisar se foi alvo dos manifestantes.

Freddie Gray, 25 anos, que morreu há uma semana no hospital, foi enterrado na segunda-feira em uma cerimônia marcada pelo tom político.

Gray faleceu devido a uma fratura na vértebra, uma semana após sua prisão em Baltimore.

Vídeos da detenção de Gray, gravados por transeuntes, mostram como a polícia agiu violentamente ao jogá-lo no chão.

Segundo as imagens, o jovem gritava de dor antes de ser levado em uma viatura policial, que fez três paradas sem explicação no trajeto até a delegacia.

Seis policiais envolvidos estão suspensos até que sejam entregues os resultados da investigação, no dia 1º de maio.

No começo do funeral, a polícia anunciou ter recebido a ameaça de que “várias gangues da cidade se associaram para ‘eliminar’ agentes policiais”.

A cerimônia, que contou com cerca de 3 mil pessoas, durou duas horas e meia e teve um forte viés político.

O pastor Jamal Bryant disse que Freddie Gray “fez o que é proibido aos homens negros: olhar nos olhos de um policial”.

Desde o anúncio da morte de Freddie Gray acontecem protestos quase diários em Baltimore.

Na madrugada de sábado para domingo, as manifestações terminaram com 34 pessoas detidas e seis policiais levemente feridos.

Mais de um milhão de pessoas exigiram o esclarecimento das circunstância da morte do rapaz e o fim da violência policial contra a população negra.

O caso de Freddie Gray é o mais recente em uma série de mortes de negros americanos desarmados pela polícia.