10/01/2015 - 14:03
As forças de segurança francesas buscavam freneticamente neste sábado a esposa de um dos três jihdistas que mataram, em três dias, 17 pessoas, 12 delas no atentado contra a revista Charlie Hebdo.
Hayat Boumedienne é a companheira de Amedy Coulibaly, que na quinta-feira matou uma policial municipal e na sexta atacou um mercado de produtos judeus na capital francesa, matando quatro pessoas e mantendo reféns por várias horas antes de ser morto pelas forças de segurança.
A polícia voltou neste sábado ao mercado que foi cenário da tragédia para tentar recolher mais pistas que possam sugerir o paradeiro da jihadista.
O presidente francês François Hollande alertou a população que a ameaça que paira sobre o país ainda não acabou e que as autoridades continuam em busca de Hayat Boumedienne, de 26 anos, considerada uma “mulher armada e perigosa”.
Tanto Coulibaly como sua companheira mantinham vínculos constantes com os irmãos Said e Chérif Kouachi, responsáveis pela matança na sede parisiense da revista Charlie Hebdo.
Os dois foram mortos na localidade de Dammartin-en-Goële, nordeste de Paris, quase ao mesmo tempo que Coulibaly.
A mulher de Chérif Kouachi, Izzana Hamyd, está detida desde quarta-feira, enquanto que a companheira de Coulibaly se converteu na mulher mais procurada da França.
Segundo a procuradoria, Izzana Hamyd fez mais de 500 ligações telefônicas em 2014 para a mulher de Coulibaly, Hayatt Boumedienne.
Com cabelo curto e rosto juvenil, Boumeddiene é muito religiosa e usa véu integral, o que a obrigou a largar o emprego como caixa, segundo a imprensa francesa.
Filha de um entregador, Boumedienne faz parte de uma família de sete irmãos. Casou-se no religioso com Coulibaly em 2009. Sua mãe morreu em 1994.
Coulibaly, cujos pais eram de origem malinense, justificou sua ação ante seus reféns ao aludir à intervenção militar francesa no Mali, e aos bombardeios ocidentais na Síria, em uma conversa gravada pela rádio francesa RTL.
Além disso, o terrorista, reincidente, ligou durante a tomada de reféns para outras pessoas convocando-as a realizar mais atentados na capital, segundo informou uma fonte da segurança.
Por sua parte, os irmãos Kouachi, franceses de origem argelina, estavam incluídos na “No Fly List” americana, que proíbe aqueles que a integram de voar para ou dos Estados Unidos.
Antes de morrer, um dos irmãos jihadistas, Chérif Koucahi, disse ao canal BMFTV ter sido enviado pela Al-Qaeda do Iêmen e que sua viagem ao país árabe foi custeada pelo islamita americano-iemenita Anwar al-Awlaki, morto naquele país, em setembro de 2011, no bombardeio de um “drone” americano.
Ele afirmou, ainda, que sua missão era agir na França por conta da Al-Qaeda na Península Arábica (Aqpa), braço da Al-Qaeda na Arábia Saudita e no Iêmen, que assumiu a operação.
Ao final de três dias de tensão e angústia, a França, cujo governo reconheceu falhas na segurança, se prepara agora para realizar uma gigantesca manifestação em memória das vítimas dos terroristas e que reunirá vários dirigentes estrangeiros.