25/05/2005 - 7:00
Quando o executivo Jaime Sartori assumiu o comando da Politeno, há pouco mais de uma década, encontrou o caos. A companhia instalada no pólo petroquímico de Camaçari, na Bahia, devia algo como US$ 100 milhões na praça, não tinha um tostão em caixa e vivia no vermelho. Estava à beira da bancarrota. Hoje, contudo, Sartori tem um outra história para contar. Inusitada até. Sua Politeno recuperou-se, é lucrativa, tem recursos, vontade de investir e um plano estratégico de crescimento. Só falta uma coisa: matéria-prima. A companhia precisaria de 40 mil toneladas de um insumo (eteno) para turbinar sua produção de polietileno (usado em sacolas de supermercados e embalgens). Acontece que o único fornecedor deste material na Bahia é a Braskem e a empresa já avisou que não pode garantir a entrega ininterrupta do produto.
Seria mais uma das tantas histórias de disputa comercial entre parceiros não fosse um ?detalhe?: a Braskem é a dona da Politeno. Com 35% do capital é uma das principais acionistas do grupo, ao lado da Suzano, que detém outros 35% (o restante distribui-se pelas japonesas Sumitomo e Itochu). Ou seja, o problema da Politeno está dentro de casa. A Braskem não nega que possui até um pouco mais do insumo à disposição, fruto de um plano de expansão feito em 2003. Mas, definitivamente, o excedente está longe das 40 mil toneladas necessárias. Ainda assim, o comando da Politeno já debateu a proposta de ampliação com o conselho de administração. Até agora não foi aprovado. Outra saída seria buscar o eteno em outro lugar, mas o frete inviabilizaria o negócio. Sartori já havia reservado US$ 25 milhões para o projeto. ?Mas sem a confirmação da Braskem, não posso fazer o investimento?, lamenta. ?Mesmo que tivéssemos essa quantidade, precisaríamos renegociar o contrato?, afirma Alexandrino de Alencar, vice-presidente de relações institucionais da Braskem.
Já não é a primeira vez que a Politeno tenta tirar algo a mais da Braskem. Desde o início do ano 2000, a empresa luta para utilizar 100% de sua capacidade. Atualmente, o contrato prevê o fornecimento de 300 mil toneladas de eteno, transformado pela Politeno em 330 mil toneladas de polietileno por ano. Para alcançar a potência máxima de suas duas unidades baianas (360 mil toneladas) ela necessitaria de outras 30 mil toneladas. O problema, de novo, é a que a Braskem não pode assegurar fornecimento contínuo. Sartori sabe disso. Mas sabe também que desde o segundo semestre de 2004, a produção da companhia ficou sempre acima de 30 mil toneladas por mês, porque a Braskem conseguiu produzir mais matéria-prima no período. Se esse fornecimento mensal fosse garantido durante o ano todo, a Politeno chegaria às desejadas 360 mil toneladas.
O entusiasmo dos cálculos também coincide com o novo momento da Politeno. Se em 1994, data do início da ?dinastia? Sartori na empresa, registrava-se um prejuízo operacional de R$ 1,6 milhão, no ano passado o lucro da operação foi de R$ 145,3 milhões. Dez anos atrás, a geração de caixa não passava dos R$ 37 milhões. Hoje, aponta para R$ 170,1 milhões. O único burburinho no grupo, cuja receita anual é de R$ 1,4 bilhão, está na questão societária. A Suzano já disse que a Politeno não faz parte da sua estratégia de longo prazo, o que abre chances de uma negociação. O assunto está na gaveta dos acionistas. ?Serei o último a saber?, diz o executivo. Mas este é um problema para o futuro. Hoje, a grande questão de Sartori é buscar saídas para a expansão da petroquímica baiana. ![]()