Os poloneses começaram a votar neste domingo no primeiro turno de uma eleição presidencial incerta, que continua a diminuir a vantagem de favorito, o chefe de Estado Bronislaw Komorowski, sobre o conservador Andrzej Duda.

Cerca de 28.000 seções eleitorais permanecerão abertos até às 16h (horário de Brasília). Após o fechamento das urnas, um levantamento das três principais redes de televisão dará as primeiras estimativas de resultados.

Komorowski, de 62 anos, atual presidente polonês de centro-direita, foi até poucos meses o grande favorito para vencer a eleição. Mas às vésperas do primeiro turno, após uma campanha morna, as pesquisas mostravam que a diferença para seu adversário não era assim tão ampla: entre 35 e 40% dos poloneses o apoiam, contra 27 a 29% para Duda, um advogado de 42, candidato pelo partido Direito e Justiça (PiS, oposição).

Enquanto isso, Pawel Kukiz um ex-roqueiro de 51 anos que quer explodir o sistema político em vigor, teria cerca de 15% dos votos, uma boa progressão após os 6% que arrecadava no início de abril.

Os outros oito candidatos – entre eles cinco populistas anti-europeus de direita – não passam dos 5%.

De acordo com todas as pesquisas, Komorowski e Duda se encontrarão no segundo turno programado para 24 de maio e, portanto, o destino dos votos de Kukiz têm um papel importante. Especialistas acreditam que seus votos “antissistema” devem ir para o candidato da oposição.

Os poderes do chefe de Estado são limitados na Polônia, um país de 38 milhões de pessoas, peso pesado econômica e político na Europa Central e membro da União Europeia desde 2004.

O presidente porém dirige a política externa e de defesa. Além disso, dispõe de prerrogativas legislativas e pode vetar as leis adotadas.

“A campanha eleitoral confirmou uma divisão entre as pessoas que se beneficiaram com os 25 anos desde a queda do comunismo, em 1989, e aqueles que se sentem perdedores”, explica o cientista político Eryk Mistewicz.

“Bronislaw Komorowski é o único candidato que pensa que a Polônia tem beneficiado muito com a liberdade, enquanto os outros representam o descontentamento”, acrescenta.

Komorowski foi eleito para um primeiro mandato em 2010, e é apoiado pelo partido governamental Plataforma Cívica (PO), no poder há oito anos.

Para seus eleitores, representa estabilidade. Portanto, os partidários da mudança olham para a oposição, contrária à política liberal e pró-europeia do governo.

Komorowski, ex-ministro da Defesa, construiu sua campanha em torno da segurança, em um contexto de tensões com a Rússia sobre o conflito na Ucrânia.

Seu principal rival, o conservador Andrzej Duda, optou por questões sociais e prometeu aos poloneses uma agenda política que traga grandes benefícios.

Poucos dias antes da eleição, Duda ganhou o apoio do importante sindicato Solidariedade. Ao longo de sua campanha, o candidato expressou seu apego à Igreja Católica, muito poderosa na Polônia.

bo/via/pt/me/pc/mm