18/12/2020 - 10:28
Alemanha, que foi o “bom aluno” da Europa no início da pandemia de covid-19, vive agora uma situação preocupante por não conseguir impor medidas drásticas nos últimos meses.
A Alemanha bateu seu recorde de infecções diárias na quinta-feira (17), com mais de 30.000 novos casos. No dia anterior, registrou 950 mortes, outro número sem precedentes.
Nos hospitais, 83% dos leitos de UTI estão ocupados, segundo o Instituto Robert Koch (RKI).
. Merkel enfrenta estados federados
Elogiado antes do verão por sua flexibilidade, o sistema federal alemão agora enfrenta questionamentos.
Defensora da linha dura contra o vírus, Angela Merkel não tem poder de impor medidas aos 16 estados e regiões em suas negociações regulares.
Segundo as próprias autoridades políticas, a situação atual começou em outubro, quando as regiões enfrentaram o governo federal, que queria endurecer as medidas contra o vírus.
A chanceler, cuja popularidade continua no auge, disse estar “insatisfeita”, mas que não poderia impor nada.
Apesar do fechamento de bares, restaurantes e locais de cultura, apenas seis estados federados reduziram o impacto desde 2 de novembro.
. Relaxamento da conduta
Frequentemente vistos como disciplinados, os alemães não souberam desta vez reproduzir os esforços da primavera boreal (outono no Brasil) contra o vírus.
É o caso das barracas de vinho quente, uma tradição antes das festas de Natal, que atrai multidões.
“Durante o confinamento da primavera, reduzimos os contatos em 63%. Até agora, fomos capazes de reduzir os contatos em apenas 43%, o que simplesmente não é suficiente”, disse o virologista Christian Drosten.
O RKI estima que a redução eficaz dos contatos deveria ser de 60%.
O aplicativo anticovid também mostrou suas limitações. Apesar de baixado por 23,5 milhões de pessoas, menos da metade dos usuários positivos declararam seu contágio.
. Ex-RDA, a mais afetada
A situação é particularmente dramática em algumas partes da antiga Alemanha oriental, especialmente Saxônia e Turíngia, onde as taxas de infecção alcançaram na quinta-feira 407 e 255, respectivamente, acima da média federal (179,2).
Depois de criticar a “histeria” do governo, o líder conservador de Saxônia, Michael Kretschmer, admitiu que a pandemia foi “subestimada” e impôs restrições de emergência.
Coincidência, ou não, nesta região é muito ativo o movimento antimáscaras, e a extrema direita está muito enraizada.
. Drama das casas de repouso
“Infelizmente, estamos vendo mais e mais surtos nas casas de repouso”, disse o presidente do RKI, Lothar Wieler.
Somente em Berlim, o número de residentes que deram positivo dobrou desde meados de novembro para mais de 2.000, segundo o Senado da capital.
Essa situação afeta o número de mortes, que na Alemanha supera as 24.000. De acordo com o instituto Statista, 87,2% das pessoas que morreram por covid-19 tinham mais de 69 anos.
