A presidente Dilma Rousseff está mais sociável – pelo menos, no Facebook, a maior rede social do mundo, que conta com cerca de 90 milhões de usuários brasileiros. Somente nos 13 primeiros dias de abril, Dilma postou 56 mensagens em sua conta oficial. Contabilizado até as 15 horas desta segunda-feira 13, o total é mais que a soma de tudo o que a presidente publicou na rede em fevereiro e março: 24 e 29 posts, respectivamente.

O ritmo de publicação acelerou bastante a partir de 6 de abril, passando para uma média de sete mensagens diárias, entre a agenda de Dilma, vídeos, fotos e textos. Até então, era comum que sua página ficasse dois ou três dias sem um único “alô”. Nos dias em que aparecia, eram, no máximo, quatro inclusões, com uma média de uma ou duas.

Em 19 de fevereiro, a conta atingiu 2,4 milhões de seguidores. Na tarde desta segunda, o número alcançava 2,424 milhões.

A maior freqüência das postagens elevou o total de curtidas e compartilhamentos. Entre os dias 1º e 13 de abril, as mensagens da presidente receberam quase 383 mil curtidas e foram compartilhadas quase 87 mil vezes. Em março, antes de intensificar sua comunicação na rede, o total de pessoas que curtiram os posts foi de 423.630. Já os compartilhamentos somaram quase 60 mil.

Alô, alô!

O engajamento médio, porém, caiu. No mês passado, cada mensagem de Dilma recebeu 14.607 curtidas e foi compartilhada por 2.067 pessoas. Já nos primeiros dias de abril, os números foram, respectivamente, 6.808 e 1.545.

A mesma aceleração é vista na página oficial do Palácio do Planalto. A partir de 6 de abril, o número médio diários de post passou para sete. Até então, a média era de um ou dois, havendo período de até quatro dias sem atualização. Somente até as 15 horas desta segunda, o Palácio do Planalto publicou 54 mensagens. É mais do que todas as 49 publicadas nos meses de fevereiro e março. Em 29 de janeiro, o Planalto atingiu 300 mil fãs no Facebook. Até a tarde desta segunda, o total estava em pouco mais de 332 mil.

Coincidência, ou não, o maior contato de Dilma e do Palácio do Planalto com seus seguidores ocorreu após a posse do novo ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, Edinho Silva, em 31 de março. O ministro assume com a missão de ajudar o governo a vencer “a guerra da comunicação” – fundamental, segundo o núcleo duro do Planalto, para que Dilma reverta a minguada popularidade, que atingiu mais de 60% de ruim ou péssimo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, logo após a sua posse, o novo ministro destacou que “a comunicação não é pautada só pela publicidade”. Para Edinho, “a comunicação efetiva se dá no cotidiano”.

Edinho assumiu no lugar de Thomas Traumann, que caiu após o vazamento de um relatório interno do Planalto, com críticas à política de comunicação do governo. No documento, a Secom afirma, entre outras coisas, que foi um erro desativar os robôs criados durante a campanha à reeleição de Dilma. Edinho negou que haja planos de reativá-los. “O governo utiliza as redes de forma institucional. Os robôs são usados no submundo da internet e essa não pode ser a esfera de atuação de um governo.”

Um milhão de amigos

O último lance de Dilma foi, literalmente, se tornar amiga de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook. Em 10 de abril, a presidente encontrou-se com ele, durante sua passagem pelo Panamá, onde participou da VII Cúpula das Américas. Na ocasião, os novos companheiros anunciaram uma parceria para expandir a oferta de internet no Brasil. A parceria será tocada pela Internet.org, uma organização criada pelo Facebook, Samsung, Nokia, Qualcomm e outros pesos-pesados do mundo da tecnologia.

Lançada em agosto de 2013, a iniciativa pretende universalizar a internet, por meio de pequenas ações que reduzam seus custos e facilitem o acesso. O Facebook, por exemplo, estuda como reduzir a quantidade de dados consumidos pelo aplicativo de sua rede social, de 12 megabytes para apenas 1 megabyte.

Numa inversão de “dress code”, o sempre casual Zuckerberg foi ao encontro de Dilma trajando terno e gravata. Já a presidente posou sorridente, com um moletom com a bandeira do Brasil e o logotipo do Facebook. Não deixa de ser bem melhor do que a capa da “Super Dilma”, personagem que circulou pela sua página no ano passado, para divulgar os feitos da presidente. Seus amigos, novos ou velhos, curtiram.