12/04/2011 - 8:17
A administração Obama pede ao Congresso que aumente o limite da dívida americana. Seguem abaixo algumas perguntas-chave sobre a importância desse tema.
– O que é o limite da dívida?
É um teto estabelecido pelo Congresso para o endividamento do governo americano. Atualmente, está em 14,29 trilhões de dólares e foi ampliado e reduzido 74 vezes nos últimos 50 anos. A regulamentação foi aprovada em 1917.
– Quando o governo alcançará o atual limite?
O Departamento do Tesouro estima que o governo alcançará o limite da dívida em 16 de maio, mas se esse teto não for ampliado até essa data, o Tesouro pode adiar pagamentos, tendo até o dia 8 de julho antes de ficar sem fundos.
– Por que é tão problemático aumentar o limite?
Os economistas dizem que o peso da dívida americana é insustentável no longo prazo, mas alguns argumentam que deter o endividamento agora poderia bloquear a recuperação econômica.
Politicamente, o limite tornou-se um teste definitivo sobre a seriedade de ambos os partidos no combate ao endividamento. Pressionados pelo movimento direitista Tea Party, alguns republicanos afirmam que o atual limite deve ser mantido.
– O que acontecerá se o limite não for ampliado antes de julho?
Provavelmente, o governo não poderá pagar alguns de seus empréstimos ou enfrentará a quase impossível tarefa de realizar cortes de gastos e aumento de impostos de 1,3 trilhão de dólares anuais – mais do que os contribuintes pessoa física pagam anualmente – segundo William Gale, da Brookings Institution.
– Quais seriam as consequências de um ‘default’?
A Casa Branca adverte que se não houver aumento do limite haverá o “Apocalipse”, matando a recuperação econômica, mas muitos economistas não estão tão certos disso.
Dado que a quebra dos Estados Unidos seria causada pela decisão de não se endividar mais, não pela incapacidade de fazê-lo, alguns acreditam que o impacto não seria semelhante – por exemplo – ao catastrófico calote da Argentina. Lá o padrão de vida caiu, os investimentos voaram para o exterior e o governo não pôde evitar.
Mas mesmo se isso não ocorrer, economistas da Nomura Securities acreditam que Washington enfrentará maiores custos para se endividar quando decidir fazê-lo novamente.
Isso faria com que o déficit de longo prazo fosse inclusive mais difícil de controlar.
– Quem perde?
Os detentores de títulos da dívida dos Estados Unidos, que perderam valor. A China é a maior detentora de títulos americanos, tendo gastado seus enormes superávits comerciais na compra de títulos do Tesouro. Mas os detentores domésticos poderão se ver forçados a assumir perdas primeiro, por temor de uma crise prolongada.
– O que significaria um ‘default’ para os americanos?
Um ‘default’ provavelmente levará a um aumento das taxas, tornando mais difícil para os americanos obter crédito, em um momento em que o valor de suas casas caiu e os fundos de pensão – indexados ao mercado – estão em baixa.
AFP-bur-/lb