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RUMO INDEFINIDO: juros devem cair pouco em 2008 e, se a inflação subir, podem até aumentar

Os mais altos juros do mundo deixaram o brasileiro mal acostumado. O retorno real das aplicações em renda fixa era de 8%, 9% e 10%. Hoje, com a Selic em queda e os rendimentos por volta dos 6%, o brasileiro esquece que o percentual ainda é muito alto (só perde para o da Turquia) e abandona os fundos considerados o porto seguro das aplicações.

Em novembro, a renda fixa amargou uma captação líquida negativa de R$ 6,717 bilhões. No acumulado de janeiro a novembro, as aplicações superaram os resgates em R$ 2,1 bilhões. Ao mesmo tempo, a caderneta de poupança captou R$ 15,9 bilhões além dos saques, atraindo investidores por conta da isenção de Imposto de Renda. Enquanto a poupança atrai os mais conservadores, os clientes com apetite para o risco migram para a renda variável. Nos últimos cinco anos, o índice Bovespa apresentou retorno superior ao CDI, referência para os fundos de renda fixa.

Na tentativa de estancar a evasão de recursos, os gestores tentam convencer os clientes a esperar o retorno de sua rentabilidade. ?Chegará o tempo em que a bolsa vai se desvalorizar e os investidores sem perfil para risco, assustados, vão voltar para a renda fixa?, prevê o economista Bolivar Tarragó, vice-presidente da Caixa Econômica Federal. ?Os clientes nem sempre estão conscientes dos riscos. A tendência é o mercado criar estímulos para a captação por um prazo mais longo.?

Os fundos de renda fixa abrigam a maior fatia dos investimentos. Em novembro passado, tinham 32,35% do mercado. O problema é que as carteiras de renda fixa são compostas principalmente por títulos públicos e privados prefixados. Quando as taxas futuras de juros sobem de forma inesperada, esses títulos se desvalorizam e derrubam o retorno dos fundos. Por isso, há preocupações com a rentabilidade dos fundos com títulos prefixados de prazo longo em suas carteiras. Os papéis pós-fixados, portanto, são a melhor opção.

De todo modo, a renda fixa volta a se tornar atrativa em 2008 quando e se o corte de juros recomeçar. O último relatório Focus do Banco Central prevê uma taxa Selic de 10,75% para 2008, pouco abaixo dos 11,25% atuais. Mas existe o risco de o BC aumentar os juros para conter uma eventual inflação de demanda.

Leopoldo Barreto, gestor da Arsenal Investimentos, aconselha os clientes a avaliar a composição da carteira escolhida. ?Qual o risco? São títulos pós ou prefixados? Para quando? Quais os custos desse produto? A taxa de administração é aceitável??, explica Barreto. ?Vivemos um momento em que é preciso fazer contas, verificar os resultados dos fundos e compará-los para não perdermos.? O fundo é realmente atraente quando oferece taxas de administração abaixo de 1%. Acima de 3%, dependendo da gestão do fundo, sua rentabilidade pode ser inferior à da poupança.

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