A direção nacional do PP já começou a punir os parlamentares que  contrariaram a decisão oficial pró-impeachment da sigla e votaram a  favor do governo na votação desse domingo, 17, na Câmara dos Deputados.

Após  se abster de votar, ajudando indiretamente o governo Dilma Rousseff, o  deputado federal Beto Salame foi destituído no domingo, 17, mesmo do  comando do PP no Pará pela direção nacional do partido.

Segundo  o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), Salame já tinha sido  avisado que, se contrariasse o fechamento de questão da sigla a favor do  impeachment, seria destituído do comando estadual da legenda.

Recém  filiado ao PP após deixar o PROS, o deputado tinha assumido o comando  da sigla Pará no início de março. O substituto dele na presidência  regional do partido ainda não foi divulgado.

Na votação de  domingo, dos 45 deputados do PP, 38 votaram a favor do impeachment, 4  contra e 3 se abstiveram. Até então, a expectativa do governo era de ter  mais de 10 votos favoráveis a Dilma na legenda.

Dos votos  favoráveis ao governo, quatro foram dados por deputados da Bahia. Dois  votaram contra (Roberto Britto e Ronaldo Carletto) e dois se abstiveram  (Cacá Leão e Mário Negromonte Júnior).

Eles votaram a  favor do governo, alegando ter uma aliança regional com o governador da  Bahia, Rui Costa, do PT. O vice-governador baiano, João Leão, é  presidente estadual do PP.

A ala pró-impeachment do PP já  pediu “providências” à direção do partido em relação aos baianos. No  entanto, pela questão regional e por o partido ter a vice-governadoria  do Estado, o caso é considerado delicado por Ciro Nogueira.

A  bancada pede ainda a expulsão do partido do deputado Macedo (CE), que  também votou contra o impeachment. O parlamentar teve um aliado seu  indicado recentemente para o Departamento Nacional de Obras contra a  Seca (DNOCS).

Maranhão

Na última  quinta-feira, 14, Nogueira já tinha destituído o deputado Waldir  Maranhão, 1º vice-presidente da Câmara, da presidência do diretório  estadual do PP no Maranhão, após o parlamentar anunciar que votaria  contra o impeachment.

No fim de semana, em uma tentativa de  reverter o voto de Maranhão, a cúpula do PP chegou a oferecer o comando  do diretório estadual de volta. Sem sucesso. No lugar dele, o comando  nacional nomeou o deputado André Fufuca, recém filiado à sigla.