23/03/2001 - 7:00
Enquanto o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, preocupa-se com a febre aftosa, uma outra doença, o Amarelo Letal, ameaça a indústria do coco sem que desperte a atenção das autoridades. A enfermidade mata um coqueiro num prazo de três a seis meses. Cocos originários de países onde há epidemia entram livremente no Brasil. Anos atrás, o Diário Oficial publicou duas portarias proibindo a importação da fruta e dos derivados de países onde a doença é reconhecida. Mas a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura tem concedido pareceres a importadores desautorizando suas próprias portarias. A denúncia, do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco, foi formalizada no mês passado na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e encaminhada a Pratini no dia 5 de março. Procurado pela DINHEIRO, o ministério não se manifestou.
O Brasil importou 8 mil toneladas de coco ralado em 2000. Boa parte veio da República Dominicana e do México, onde o Amarelo Letal é reconhecido oficialmente. O presidente do sindicato, Francisco Porto, vai esta semana a Brasília denunciar a situação. ?Queremos que as leis sejam respeitadas?, diz. O coco é a segunda fruticultura nacional e dá emprego a 350 mil pessoas. O impacto de uma epidemia seria semelhante ao da Vassoura da Bruxa, uma praga que dizimou a cultura do cacau na Bahia e destruiu a economia na região de Ilhéus.