O preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 7,72% na primeira semana de março em relação à semana anterior, para R$ 6,70 por litro, com revendedores repassando custos em momento em que o combustível importado ficou mais caro com a guerra no Irã, segundo dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log, divulgados nesta terça-feira, 10.

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O valor do diesel comum avançou 6,10% nos postos, para R$ 6,61/litro em média. No mesmo período, a gasolina teve variação mais moderada do que as do diesel, de 1,24%, para R$ 6,52/litro.

O diesel costuma ser o combustível que reage primeiro a movimentos mais bruscos no mercado internacional de petróleo, principalmente por ter forte relação com a dinâmica do transporte de cargas no país, disse o diretor de Frete na Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes.

“Ademais, o Brasil ainda não é autossuficiente na produção do combustível e importa entre 20% e 30% do diesel consumido internamente, o que torna o mercado mais sensível a oscilações internacionais, principalmente em momentos de tensão geopolítica que afetam rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz”, acrescentou ele.

Agentes do setor de combustíveis relataram alta de preços nos postos na última semana, apesar de a Petrobras, que responde pela maior parte do abastecimento no país, estar segurando as suas cotações.

Além de o mercado trabalhar com combustível importado, o Brasil também conta com algumas refinarias privadas, que repassam custo da alta do petróleo.

Petrobras fala em ‘mitigação’

A Petrobras historicamente evita repassar imediatamente a volatilidade global aos preços locais, segundo reiterou na semana passada a presidente da petroleira, Magda Chambriard. Na ocasião, fontes da companhia também disseram que a Petrobras monitorava de perto os desdobramentos do conflito e previa uma semana de observação no mercado de petróleo antes de uma eventual decisão sobre reajuste.

Em nota, a Petrobras disse que reafirma seu compromisso com a mitigação dos efeitos da volatilidade dos preços em um cenário de guerras e tensões geopolíticas.

“Passamos a considerar em nossa estratégia comercial as nossas melhores condições de refino e logística, o que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país”, diz a nota da empresa.

A Petrobras acrescentou que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões, mas que segue comprometida com atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”.

Senacon vai investigar aumentos

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que analise os recentes aumentos nos preços dos combustíveis em quatro Estados (Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul) e no Distrito Federal.

Em nota divulgada nesta terça-feira, 10, o Ministério da Justiça informa que o pedido foi encaminhado após declarações públicas de representantes do Sindicombustíveis-DF, Sindicombustíveis Bahia, Sindipostos-RN, Minaspetro-MG e Sulpetro-RS, informando que as distribuidoras elevaram os preços de venda para os postos sob a justificativa de alta no preço internacional do petróleo, em razão do conflito no Oriente Médio.

“Até o momento, porém, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias. Diante desse cenário, a Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”, diz a nota.

A Senacon esclarece ainda que o pedido tem o objetivo de garantira transparência nas práticas comerciais e proteger os consumidores.

Alta do petróleo

A guerra no Irã, e o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde trafegam cerca de 25% do petróleo mundial, tem elevado o preço do barril no mercado global, chegando a US$ 120 na segunda-feira (9).

Porém, após o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA), afirmar que a guerra estaria próxima do fim, os preços voltaram a cair, e hoje o barril Brent é comercializado abaixo dos USS 100, porém ainda acima dos cerca de US$ 70, valor médio antes do conflito.

Após o fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã ontem com ataques “vinte vezes mais forte” que “tornarão praticamente impossível a reconstrução do Irã como nação” caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz.

*Com informações de Agência Brasil e Reuters