Considerado a prévia da inflação oficial do país, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) registrou alta de 0,64% em março, puxado sobretudo por ‘Alimentação e Bebidas’.

Entre as maiores alta no mês, destaque para os aumentos nos preços do ovo, do café e do mamão. Veja tabela abaixo:

+IPCA-15: prévia da inflação fica em 0,64% em março e atinge 5,26% em 12 meses

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Veja as maiores altas em março de 2025

ItemVariação mensal (%)Impacto (p.p.) no IPCA-15
Gasolina1,830,1
Ovo de galinha19,440,05
Café moído8,530,05
Passagem aérea7,020,05
Cinema, teatro e concertos7,420,03
Tomate12,570,03
Plano de saúde0,570,02
Refeição0,620,02
Mamão15,190,02
Plano de telefonia móvel1,420,02
Energia elétrica residencial0,430,02
Empregado doméstico0,570,02

Os bens e serviços monitorados pelo índice são organizados por grupos, subgrupos, itens e subitens. Entre os não alimentos, a gasolina foi o subitem com maior alta em março: encareceu 1,83%.

Já no acumulado de 12 meses, o grande “vilão” da inflação é o café, cujo preço avançou 72,02%. Destaque também para as carnes que subiram acima e 20% e para os chocolates (18,51%). Veja quadro abaixo:

Veja itens com as maiores altas acumuladas em 12 meses

ItemAlta acumulada em 12 meses (%)
Café moído72,02
Tangerina46,44
Joia30,13
Laranja-lima29,79
Óleo de soja26,73
Alho26,37
Acém26,26
Patinho23,51
Abacate22,89
Costela22,48
Cigarro22,14
21,60
Lagarto comum21,10
Contrafilé21,09
Filé-mignon20,87
Carne de porco20,47
Chã de dentro20,44
Etanol19,94
Músculo19,80
Alcatra19,44
Mamão18,61
Chocolate em barra e bombom18,51
Lagarto redondo17,89
Peixe-dourada17,30
Cupim17,20
Carne de carneiro16,45
Limão16,21
Capa de filé16,13
Peito15,66
Açaí (emulsão)15,30

Nos 12 meses até março, o índice passou a subir 5,26%, de 4,96% no mês anterior, marcando a taxa mais elevada desde os 5,36% registrados em março de 2023. Com isso, vai ainda mais além da meta oficial –3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Recentemente, tanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levantaram preocupação com o aumento dos preços do ovo, com a inflação dos alimentos sendo apontada como uma das causas da queda recente de popularidade de Lula.

O centro da meta perseguida pelo Banco Central para 2025 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Inflação acima da meta

A partir deste ano, a meta começa a ser apurada de forma contínua, com base na inflação acumulada em 12 meses. O centro continua em 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

As projeções do banco Central apontam para uma inflação acumulada em 12 meses na faixa de 5,5% e 5,6% nos três primeiros trimestres deste ano, caindo para 5,1% no final do ano, segundo relatório publicado nesta quinta.

A meta contínua de inflação prevê que o BC se explique e apresente um plano de trabalho para a convergência da inflação após seis meses contínuos de rompimento dos limites da meta, o que deve ocorrer em junho deste ano.

Para o BC, ao fim de 2025, a chance de a inflação estourar o teto da meta é de 70%, contra 50% antes. Para 2026, a chance foi estimada em 28%, ante 26%.