A queda recente do ouro não foi suficiente para reverter os aumentos aplicados pela Rolex em 2026. A fabricante reajustou os preços duas vezes no ano, com impacto maior sobre os modelos feitos com metais preciosos, enquanto o mercado de seminovos passou a mostrar diferenças mais claras em relação aos valores praticados nas boutiques.

Em junho, a Rolex elevou em cerca de 5% os preços dos modelos de ouro e em 2,5% os das versões bicolores. Relógios de aço, platina e titânio ficaram fora dessa rodada de reajuste.

O movimento ocorreu depois de uma forte valorização do ouro. A commodity ultrapassou US$ 4 mil por onça em outubro de 2025, chegou a aproximadamente US$ 5.595 no fim de janeiro de 2026 e depois recuou para a faixa de US$ 4,1 mil em outubro. Os preços oficiais dos relógios, porém, não acompanharam essa queda na mesma proporção.

Para Renan Bastos, especialista em relógios de luxo e CEO da RC Crown, é preciso separar o preço definido pela fabricante do valor que a peça consegue alcançar quando volta ao mercado.

“São duas referências diferentes. Uma é o preço de boutique. A outra é quanto o mercado está disposto a pagar por aquela peça naquele momento”, explica.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o Cosmograph Daytona em ouro branco passou a custar US$ 59.100 após os reajustes de 2026. O modelo acumulou alta de aproximadamente 14% no ano e de 33% em relação a 2024 nos preços oficiais.

Mercado secundário exige outra leitura

O aumento nas boutiques tornou algumas referências de seminovos mais competitivas, sobretudo entre os modelos de ouro. Isso, porém, não significa que toda diferença de preço represente uma oportunidade de valorização.

Segundo Bastos, fatores como procedência, documentação, originalidade, estado de conservação, histórico de manutenção e facilidade de revenda pesam diretamente na negociação.

A liquidez também varia bastante entre os modelos. Algumas referências mantêm procura constante em diferentes mercados; outras podem ficar mais tempo anunciadas e sofrer oscilações maiores de preço.

Os dados do mercado secundário reforçam essa diferença. Em junho, o índice geral da WatchCharts registrou variação negativa de aproximadamente 0,1%, enquanto o índice da Rolex recuou 0,2%.

Para Bastos, esse comportamento mostra por que reajuste de tabela e valorização de mercado não devem ser tratados como sinônimos.

“Um relógio pode ficar mais caro na boutique sem necessariamente acompanhar essa alta na revenda. Para quem compra pensando também em patrimônio, liquidez e histórico de negociação são tão importantes quanto o preço oficial”, afirma.

Radicado em Miami e atuante no mercado secundário, Bastos observa ainda que câmbio, custos da operação e diferenças entre países podem alterar bastante a competitividade de uma mesma referência.

Para quem pretende comprar um Rolex, a comparação entre novo e seminovo ganha ainda mais peso depois dos reajustes de 2026. Mais do que olhar apenas o valor anunciado, a análise passa pela condição da peça, documentação e comportamento daquela referência no mercado de revenda.

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