Até a quarta-feira da semana que vem, o governo federal e as  entidades que representam os prefeitos e governadores do País pretendem  definir, em nova reunião no Palácio do Planalto, qual será o critério de  distribuição da nova CPMF, a ser criada pelo Congresso Nacional. A  decisão final será apresentada à presidente Dilma Rousseff no dia 19 de  novembro.

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, que  preside a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), disse, ao final de  encontro realizado nesta terça-feira, 27, com o ministro da Secretaria  de Governo, Ricardo Berzoini, que todos concordaram com a alíquota de  0,20%, encaminhada pelo Planalto ao Congresso, e que a este porcentual  seja incorporado o adicional de 0,18%, para ser distribuído entre  Estados e municípios, em proporções iguais.

Também houve  consenso sobre a destinação dos recursos, que seria para Seguridade  Social, englobando o uso dos recursos para a saúde, educação,  previdência e assistência social.

A volta da CPMF foi  encaminhada ao Congresso como Proposta de Emenda à Constituição, com o  valor de 0,20%, pelo período de quatro anos. O texto a ser votado, no  entanto, será de 0,38%, para todos os entes federativos. Mas falta  definir se o critério de distribuição para os municípios será com base  no número de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ou com base na  população – mesmo cálculo usado para o rateio do Fundo de Participação  dos Municípios (FPM).

A Frente Nacional de Prefeitos, que  reúne as cidades com mais de 200 mil habitantes, quer que o critério de  distribuição dos 0,09% da CPMF para os municípios seja o número de  pessoas atendidas pelo SUS, o que beneficiaria as cidades grandes, para  onde se desloca a população em busca de atendimento médico.

A  Associação Brasileira dos Municípios e a Confederação Nacional dos  Municípios, que representam as pequenas cidades, querem que o porcentual  seja distribuído com base na população local.

Ao final da  reunião com Berzoini, Márcio Lacerda defendeu uma completa  reestruturação na forma de financiamento e gestão do Estado, alegando  que, se isso não for feito, todos vão falir. “Se não houver mudanças  estruturais no modelo de financiamento da gestão pública no Brasil, dos  governos, a médio prazo, a não ser que haja um crescimento econômico  bastante razoável e sustentável ao longo de anos e anos, a médio prazo,  cinco dez anos, todos os governos estarão falidos”, disse.

“A  verdade é esta porque as despesas estão subindo acima da capacidade dos  impostos gerarem receita. É necessário mudanças na Previdência, na  carreira e isso precisa ser pensado nos três Poderes porque, do jeito  que está, não pode continuar”, declarou Lacerda.

O  encontro com Berzoini contou com a participação de prefeitos, de  integrantes de entidades representativas dos municípios e dos  governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e de Pernambuco,  Paulo Câmara.