09/12/2017 - 16:09
O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, criticou neste sábado (9) a visita do dirigente de uma milícia iraquiana perto da linha de cessar-fogo entre Líbano e Israel, considerando-a ilegal.
Convidado pelo movimento xiita Hezbollah, Qais al-Khazali é fundador e líder da poderosa milícia iraquiana Asa’ib Ahl al-Haq, apoiada pelo Irã. Segundo imagens de um vídeo publicado nas redes sociais, ele visitou zonas do sul do Líbano usando um uniforme militar.
“Declaramos que estamos dispostos a nos unirmos aos libaneses e à causa palestina diante da ocupação israelense”, informa neste vídeo.
O Estado hebreu retirou suas forças do sul do Líbano em 2000, após 22 anos de ocupação. Tecnicamente, porém, Líbano e Israel continuam em estado de guerra e, muitas vezes, são declarados incidentes ao longo dessa linha de cessar-fogo.
Em 2006, Israel dirigiu uma violenta guerra contra o Hezbollah, deixando 1.200 mortos no lado libanês.
Regularmente os israelenses denunciam as ações do Hezbollah, que consideram uma ameaça para sua fronteira.
Segundo o primeiro-ministro libanês, a polêmica visita do chefe da milícia iraquiana aconteceu há seis dias e constituiu “uma violação das leis libanesas”, sem detalhar de que maneira.
Também disse ter ordenado às autoridades que façam uma investigação “e tomem medidas para impedir que a pessoa do vídeo (em referência ao líder da milícia iraquiana) entre no Líbano”.
A milícia de Khazali opera dentro das forças paramilitares do Hashd al-Shaabi no Iraque.
Poderoso movimento armado apoiado pelo Irã, o Hezbollah enviou conselheiros ao Iraque para apoiar as forças do Hashd al-Shaabi em sua luta contra o grupo extremista Estado Islâmico.
O grupo libanês também luta na Síria, junto com o governo de Bashar al-Assad.
As intervenções regionais do Hezbollah são fontes de desacordo no Líbano e foram mencionadas por Hariri quando apresentou sua renúncia no início de novembro na Arábia Saudita. Riad e o Irã xiita apoiado pelo Hezbollah são grandes rivais.
Depois voltou atrás na decisão e conseguiu que o governo libanês, onde o Hezbollah tem representação, se comprometesse a não intervir nos conflitos regionais.
Na sexta-feira (8), Estados Unidos e França pediram às potências regionais do Oriente Médio para manter o Líbano à margem de suas rivalidades.
