O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF),  demonstrou preocupação com a condução coercitiva do ex-presidente Luiz  Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 3, para prestar depoimento à  Polícia Federal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. “Me  preocupa um ex-presidente da República ser conduzido debaixo de vara”,  disse.

De acordo com o ministro, a Polícia Federal deveria  ter “observado os parâmetros normais” e intimado Lula a prestar  depoimento em vez de levá-lo contra sua vontade. “Um ex-presidente da  República, sem ter oposto resistência física, ser conduzido  coercitivamente revela em que ponto nós estamos. A coisa chegou ao  extremo”, afirmou Mello.

Apesar disso, o ministro disse que  a condução coercitiva de Lula não prejudica a legitimidade das  investigações. “O depoimento do ex-presidente é uma fase embrionária da  Operação. Espero que tudo seja esclarecido. Se alguém cometeu desvio de  conduta, que pague por esse desvio.”

Mello defendeu, no  entanto, o respeito à ordem jurídica. “Esse é o preço módico que pagamos  por viver em um Estado democrático de direito. Não se avança  culturalmente sem isso.”

A 24ª da Operação Lava Jato, que  tem como principal alvo o ex-presidente, é, para Mello, a prova de que  não há ninguém a cima da lei. “O Supremo já havia diplomado isso no  julgamento do mensalão. Todos estão submetidos às leis vigentes no  País”.