04/05/2015 - 19:05
A prática da tortura e os riscos do combate militar à criminalidade são alguns dos desafios de direitos humanos enfrentados nas Américas, disse nesta segunda-feira o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, ao inaugurar no México seu escritório para o continente.
“O ano de 2014 foi provavelmente um dos piores anos na história dos direitos humanos no mundo, e, ao se colocar em foco a região das Américas, incluindo Estados Unidos e Canadá, encontram-se também muitos desafios”, assegurou Shetty em coletiva de imprensa na capital mexicana.
“A Anistia Internacional está muito preocupada com a situação dos direitos humanos nessa parte do mundo, motivo pelo qual transferiremos todas as suas operações relacionadas às Américas para a própria região”, explicou o ativista indiano.
A ONG internacional organizou uma série de fóruns e atividades durante a semana pela abertura de seu novo escritório para as Américas, instalado na Cidade do México.
Entre os problemas mais urgentes da região, Shetty apontou “a resposta militar à insegurança”. “Isso nunca funcionou, na verdade só piora o problema, sobretudo para os setores mais vulneráveis (da população), que se transformam em vítimas nos dois lados do conflito”.
Além disso, a região enfrenta práticas de tortura generalizada, frequentes ataques contra defensores de direitos humanos, desaparecimentos, execuções extra-judiciais, criminalização de manifestações pacíficas, assim como discriminação e violência contra afrodescendentes, imigrantes, mulheres e meninas, ressaltou a organização.
“Os governos e líderes da América Latina têm muito bloqueio ao discurso dos direitos humanos. Todos eles reconhecem publicamente sua importância, mas não discutem com profundidade e franqueza sobre o tema, lamentou Shetty.
O ativista ressaltou que, apesar do desenvolvimento econômico do continente, a impunidade é a norma e que prevalece um sistema em que somente as pessoas que têm recursos econômicos têm acesso a uma boa educação, saúde e segurança.
A Anistia Internacional, com sede em Londres, destacou em seu último relatório global os grandes protestos ocorridos em 2014 no continente em resposta às violações aos direitos humanos.
“Do Brasil aos Estados Unidos, passando por México e Venezuela (…) as manifestações constituíram um autêntico desafio público aos altos níveis de impunidade e corrupção e às políticas econômicas que favoreciam uns poucos”, afirma a organização.
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