Depois de diversas promessas e adiamentos, o PSDB lançou oficialmente  seu pacote de medidas com foco na área social. Em seminário realizado  na manhã desta quinta-feira, 10, na Câmara dos Deputados, os tucanos  apresentaram as propostas que deveriam fazer frente ao PT, mostrando  falhas do governo em sua maior base eleitoral. O avanço da possibilidade  de impeachment, entretanto, tornou o pacote tucano uma estratégia menos  focada no governo federal e mais centrada nas eleições municipais deste  ano.

“Todos sabem o quanto eu queria ver o PSDB se  dedicando de forma mais profunda a debater políticas sociais. Este é o  início de um encontro do PSDB com sua própria história”, anunciou o  presidente do partido, Aécio Neves (MG), que durante o discurso defendeu  que a legenda nunca esteve distante das questões sociais. “Foi no  governo FHC que foram tomadas as mais importantes medidas para a área de  proteção social que esse País já viveu”, argumentou.

O  agravamento da situação política da presidente Dilma, citada em delação  de Delcídio Amaral (PT-MS) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,  conduzido coercitivamente pela Polícia Federal, levou o PSDB mais uma  vez a voltar suas atenções para o projeto de impeachment. No entanto,  era preciso reforçar uma posição propositiva para dar respostas às bases  e garantir espaço nas eleições municipais de outubro.

Ao  divulgar o chamado “Catálogo Travessia”, com 126 propostas em âmbito  social, Aécio afirmou que o caderno poderia ser usado como uma  ”bibliazinha” ou “roteiro” pelos candidatos a prefeitos e vereadores  pelo PSDB. “São pequenas e singelas iniciativas que eu acho inspiradoras  para que o PSDB incorpore de forma definitiva na sua marca a  preocupação com as questões sociais”, disse. Com foco regional, não  existe previsão para que as propostas sejam transformadas em projetos do  Congresso Nacional e não constam das proposições apresentadas por Aécio  ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) no último mês.

Como  já vinha defendendo anteriormente, a cartilha é um enfrentamento às  falhas das políticas públicas do PT. No discurso, o senador enumerou a  falta de reajuste do Bolsa Família, o corte orçamentário no Minha Casa  Minha Vida e em outros programas sociais do governo. “Assistimos à  presidente dizer que os programas sociais estão preservados. Mentira,  não estão”, alegou Aécio.

Propostas dependeram do impeachment

O  pacote social tucano chega com, pelo menos, 3 meses de atraso. Foi em  meados de novembro do ano passado que Aécio anunciou, pela primeira vez,  que o partido lançaria um conjunto de medidas com foco no plano social.  À época, o PSDB chegava ao fim do primeiro ano de governo Dilma  agarrado à pauta única do impeachment, que parecia enfraquecido, como  analisaram os próprios líderes no Congresso. De outro lado, o PMDB  tomava o protagonismo com o lançamento do documento “Uma ponte para o  futuro”, que reunia propostas para tirar o Brasil da crise.

Agendado  para 8 de dezembro, conforme anúncio do próprio Aécio, o pacote tucano  acabou esquecido. Uma semana antes, o presidente da Câmara dos  Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-MG), aceitou o pedido de impeachment de  Dilma, acendendo o sinal para a oposição de que ainda era tempo de se  fazer o impeachment. Desde então, o lançamento do pacote social ficou  condicionado à conjuntura política e à possibilidade de impeachment, com  Aécio se posicionando de forma mais propositiva toda vez que o  afastamento da presidente parecesse pouco provável.

As  propostas anunciadas nesta manhã, na presença de líderes e candidatos  locais do partido, têm a colaboração do economista Mansueto Almeida, que  coordenou a campanha eleitoral de Aécio em 2014, além de serem  chanceladas por José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela.  Segundo o partido, as propostas atingem 18 áreas, como saúde, direitos  humanos e educação.