07/05/2015 - 11:47
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, voltou a defender nesta quinta-feira um exército comum para os 28 Estados membros do bloco, dizendo que uma “horda de galinhas” seria hoje mais combativa do que a União Europeia.
“Eu digo simplesmente que os 28 exércitos não estão à altura”, declarou Juncker durante um debate organizado pela rádio alemã WDR, em Bruxelas.
“Uma horda de galinhas é uma formação de combate que se compara à política externa e de segurança da UE”, disse o ex-primeiro-ministro luxemburguês, acostumados a ‘ironias’.
Jean-Claude Juncker também não poupou seu país, que “tem um exército de 771 pessoas, com o ministro da Defesa incluído”.
“Um exército comum a todos os europeus faria a Rússia compreender que nós somos sérios quando se trata de defender os valores da União Europeia”, explicou Jean-Claude Juncker em março ao jornal alemão Welt am Sonntag.
“A prontidão da defesa europeia é uma paisagem fragmentada”, lamentou nesta quinta-feira. “Basta olhar como é organizada a aquisição de equipamento militar”, uma área em que os europeus agem de forma dispersada, apesar da promessa de melhorar a aquisição conjunta, o que favoreceria a indústria europeia.
Um exército europeu, “projeto a longo prazo”, “não é algo que pode ser criado a partir do zero, amanhã às 11 horas”, admitiu Jean-Claude Juncker.
“Mas nós não sentimos a empolgação dos europeus”, lamentou, detectando entanto “pequenas alterações” de atitude.
Os 28 chefes de Estado e de Governo querem melhorar a cooperação em matéria de defesa e reforçar a UE neste campo em uma cúpula no final de junho. Eles já lançaram projetos para planificar a compra e pesquisa em desenvolvimento em áreas como o reabastecimento em voo de aviões de combate, drones e defesa cibernética.
Na ausência de uma Europa forte em termos de defesa e política externa, “é compreensível que os países da Europa Central e Oriental, especialmente, confiem na Otan”, observou Jean-Claude Juncker, num momento em que as relações entre Bruxelas e Moscou estão no seu mais baixo nível por causa do conflito na Ucrânia. A atitude beligerante do vizinho russo provoca fortes preocupações em alguns países ex-soviéticos membros da UE atualmente.
Mas mesmo dentro da Aliança do Atlântico Norte, o objetivo das despesas militares de 2% do Produto Interno bruto (PIB) não é respeitado, exceto pelos Estados Unidos. Seus 28 membros prometeram solenemente em setembro alcançar este nível dentro de dez anos para reverter o declínio dos orçamentos da defesa nos últimos anos.