O presidente da Federação Inglesa (FA), Greg Dyke, disse nesta sexta-feira que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, “odeia os ingleses, a FA e a imprensa britânica”, mas que já não tem mais importância porque o suíço está politicamente “morto” e deve ser preso.

“Blatter odeia os ingleses. Odeia a FA e a imprensa britânica. Ele os acusa de todos os males. Tem carisma, isso é inegável, mas eu nunca acreditei nele. Ele me lembra Nixon. Ou você está com ele ou você é um inimigo”, explicou Dyke em entrevista publicada no site do jornal Guardian.

A Fifa está envolvida no maior escândalo de corrupção de sua história e Blatter renunciou ao cargo de presidente da entidade na terça-feira. Um ex-alto dirigente da Fifa, o americano Chuck Blazer, admitiu subornos no processo de atribuição das sedes da Copa do Mundo.

Blatter tem “um ego enorme”, continuou Dyke. “Quando você está no poder, você se dá conta de que quando você diz que vai embora, a verdade é que você já foi. Está morto. Acabou”, afirmou Dyke, que apostaria dinheiro que Blatter ainda será preso.

“Não sediaremos as Copas do Mundo de 2018 (que a Inglaterra perdeu para a Rússia) e 2022 (no Catar), mas se você ler o (The New York) Times, é difícil não acreditar que houve corrupção”, completou.

A Inglaterra, crítica do sistema implementado por Blatter na Fifa que permite ao suíço permanecer no poder desde 1998, graças ao voto das pequenas federações, se defendeu das acusações de “neocolonialismo”.

“Sem nenhuma dúvida, há valores na Europa Ocidental, na América e na Austrália que não se aplicam a outros lugares. Minha experiência na África me permite dizer que lá a política é uma maneira de cuidar de sua família. É simplesmente uma diferença cultural”, afirmou Dyke.