18/11/2015 - 14:53
O clássico entre Real Madrid e Barcelona, marcado para este sábado, no estádio Santiago Bernabéu, é a “joia” do Campeonato Espanhol, que está sendo usado como “locomotiva” para recuperar o atraso em relação à Inglaterra, disse em entrevista à AFP Javier Tebas, presidente da Liga de Futebol Profissional (LFP).
O dirigente espera que o novo modelo de venda centralizada dos direitos de transmissão ajude a LFP a arrecadar mais do que com o antigo sistema, em que os direitos eram negociados individualmente por cada clube, como acontece no Brasil.
– Qual é a importância do clássico para o poder de atração da Liga Espanhola?
“A única coisa que pode chegar a ser mais importante são as partidas de final de temporada, quando o título é decidido, mas, em termos de mídia, é claramente o evento mais importante. É a partida entre clubes que reúne o maior número de telespectadores (pelo menos 500 milhões), superando o Superbowl e a final da Liga dos Campeões. O clássico é uma partida de competição oficial, em que três pontos estão em jogo. Se fosse um amistoso, teria muito menos importância. Portanto, podemos dizer que é a joia da Liga, mas a Liga também dá valor a esta partida”.
– O que o senhor espera da licitação para os direitos de televisão para as próximas três temporadas, que termina no dia 2 de dezembro?
“Para as televisões internacionais, a licitação foi realizada neste verão (europeu), o faturamento anual aumentou de 800 milhões para 1,2 bilhão de euros. Agora, está acontecendo a licitação nacional, e espero que chegue a EUR 1,5 bilhão. Não devemos alcançar ainda o nível da Premier League (EUR 2,3 bilhões) porque precisamos trabalhar mais o conceito de marca da Liga”.
– Existe algum risco de que Real Madrid e Barcelona ganhem menos com este novo sistema de venda centralizada?
“Espero poder dizer nas próximas semanas que, no âmbito nacional, Real e Barça vão lucrar mais com este sistema novo. Temos que crescer sem prejudicar esses dois clubes, que são as locomotivas da Liga”.
– Como pretende competir com a Premier League inglesa?
“Já recorremos diante da Fifa sobre o tema da propriedade de jogadores por terceiros (uma prática muito utilizada na Espanha, em Portugal e no Brasil, mas proibida recentemente pela Fifa). Acho que esta proibição só beneficia a Premier League, onde isso é proibido. Se conseguirmos vencer esta batalha, teremos como reduzir esta diferença, e 4 ou 5 clubes espanhóis poderiam competir com os melhores times da Premier League. Por outro lado, temos um estudo que diz que, na Espanha, deixamos de arrecada 500 milhões de euros por causa de pessoas que assistem às partidas online ilegalmente. O estudo revela que 40% dessas pessoas que assistem aos jogos pela internet aceitariam pagar para ver futebol, portanto acho que podemos arrecadar entre EUR 250 e EUR 300 milhões a mais, o que nos deixaria mais perto da Premier League”.
jed/gr/acc/mcd/lg/mvv