Apesar da persistente valorização das ações preferenciais da Telebras, o presidente da companhia Jorge Bittar afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que não existe qualquer possibilidade de fusão da estatal com outras empresas, como o Serpro e a Dataprev. O executivo lembrou que inclusive precisou negar à Comissão de Valores Imobiliários (CVM) qualquer negociação nesse sentido, após rumores dispararem a cotação dos papéis da companhia no começo de janeiro.

“Não sei qual é a razão para esse movimento na Bolsa de Valores. Eu não fui consultado sobre nenhuma negociação e o nosso acionista controlador – o governo federal – garante que não há qualquer processo de fusão”, disse Bittar.

Desde o começo do ano, as ações PN da Telebras acumulam uma valorização de 129,23%, negociadas hoje a R$ 1,50. Na tarde do dia 11 de janeiro, os papéis chegaram a entrar em leilão com alta de 275%. Depois de registrar prejuízos milionários em 2013 e 2014, a empresa escapou dos cortes de orçamento do governo federal em 2015 e concluirá projetos importantes, como o lançamento do primeiro satélite geoestacionário brasileiro.

“Apesar de todos os desmentidos sobre qualquer fusão com outras empresas, as nossas ações continuam em um patamar elevado em relação ao momento anterior. Essa alta tem mostrado alguma consistência, mas é preciso perguntar os motivos aos investidores. Não quero estimular especulações”, acrescentou Bittar.

Desde o começo dos boatos de fusão, a Telebras tem destacado que busca sim parcerias com várias empresas, incluindo estatais, embora isso não signifique uma unificação de operações. A mesma resposta foi dada pela Dataprev.

O Serpro, estatal federal de processamento de dados, também alegou este mês nunca ter participado de “qualquer conversa” que envolvesse a fusão de suas atividades com as demais estatais. Não obstante, o Serpro mantém um projeto conjunto com a Dataprev para gerenciar a folha de pagamentos dos servidores do governo federal e tem projetos incipientes para futuras parcerias com a Telebras para uso de redes e para o desenvolvimento de computação em nuvem.

Reativada em 2010 para levar redes de fibras ópticas ao interior do País, com o objetivo de viabilizar os serviços prestados por pequenos provedores regionais de banda larga, a Telebras de fato ampliou a rede nacional de cabos de alta capacidade, mas os investimentos até o momento não foram revertidos em lucro para a estatal.

O próprio presidente da companhia aposta no lançamento do satélite geoestacionário nacional para reverter a sequência de prejuízos da companhia. O equipamento deve entrar em órbita entre dezembro deste ano e janeiro de 2017. Somente em 2015, a empresa investiu mais de R$ 700 milhões no projeto.