30/10/2014 - 17:27
O presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, decretou nesta quinta-feira estado de exceção, depois de um dia de violência, com a Assembleia Nacional em chamas, a televisão nacional invadida e a população em guerra contra o governo, de acordo com um comunicado da Presidência.
“O estado de exceção é decretado em todo o país. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas é o responsável pela execução do presente decreto, que entra em vigor a partir de hoje”, diz o texto, sem timbre oficial, sem data e que leva uma assinatura de Blaise Compaoré diferente da habitual.
A autenticidade também é questionável em um comunicado e em uma declaração também atribuídos ao serviço de comunicação da Presidência, relativos a uma dissolução do governo e a uma convocação de negociações com a oposição. Ambos os documentos têm apenas algumas linhas e estão sem assinatura.
Burkina Faso viveu um dia de distúrbios que começaram com saques e o incêndio da Assembleia Nacional, onde deveria ser realizada a votação de uma emenda constitucional para estender os poderes do chefe de Estado, que está 27 anos à frente do governo.
Milhares de manifestantes também invadiram e saquearam a sede da televisão estatal e destruíram a sede do partido no poder em Uagadugu, além de outros símbolos do regime.
Pelo menos uma pessoa morreu. A violência se espalhou para Bobo Dioulasso (oeste), capital econômica do país, e para Ouahigouya (norte).
Para o regime no poder desde 1987, esta é a pior crise desde uma onda de motins em penitenciárias registrada em 2011, que abalou o governo.
Burkina mergulhou na crise em 21 de outubro, com o anúncio de uma proposta de emenda constitucional elevando para três o número máximo de mandatos presidenciais, que em Burkina Faso duram cinco anos.
No posto há 27 anos, o presidente Compaoré deveria deixar a Presidência no próximo ano, depois de dois setenatos (1992-2005) e dois quinquenatos (2005-2015).