24/06/2020 - 15:00
O presidente do Kosovo, Hashim Thaçi, ex-chefe da guerrilha pró-independência, foi acusado nesta quarta-feira(24) de crimes de guerra e contra a humanidade pela procuradoria do Tribunal Especial para o Kosovo.
Thaçi é acusado de “crimes contra a humanidade e crimes de guerra, incluindo assassinatos, desaparecimento forçado de pessoas, perseguição e tortura” durante o conflito que terminou na independência do Kosovo nos anos 90, anunciou a nota do Ministério Público.
O chefe de estado do Kosovo desde 2016 foi alvo de dez acusações, informou o tribunal. Um juiz “está atualmente examinando a acusação para decidir se deve confirmar as imputações”, segundo o comunicado.
Kadri Veseli, ex-chefe de inteligência da guerrilha kosovar e atual líder do Partido Democrata do Kosovo (PDK) e “outros” também estão envolvidos.
“A ata de acusação indica que Hashim Thaci, Kadri Veseli e outros suspeitos são criminalmente responsáveis por cerca de 100 assassinatos”, informou o tribunal.
Criado em 2015, o tribunal especial do Kosovo é acusado de investigar crimes cometidos pela guerrilha da independência do Kosovo na Albânia (UCK), principalmente contra sérvios, ciganos e opositores da guerrilha da Albânia durante e após o conflito de 1998-99.
O procurador do tribunal preparou as primeiras acusações do caso em fevereiro, sem comunicar a identidade dos suspeitos.
Thaçi, que deveria comparecer a uma reunião na Casa Branca no sábado, retorna ao seu país depois de “interromper” sua viagem aos Estados Unidos, anunciou seu gabinete, sem especificar onde ele estava.
Segundo a imprensa do Kosovo, o presidente estava a bordo de um avião que viajava a Washington “quando foi feito o anúncio” da acusação.
– “Campanha secreta” –
Último conflito na ex-Iugoslávia, a guerra do Kosovo entre as forças sérvias e a guerrilha pró-independência causou mais de 13.000 mortes (mais de 11.000 Kosovares albaneses, 2.000 sérvios e alguns ciganos).
Os combates terminaram quando uma campanha ocidental de bombardeios obrigou as forças sérvias a se retirarem. Vinte anos depois, a Sérvia não reconhece a independência de sua antiga província.
Questionado pela imprensa em abril sobre uma possível demissão de seu cargo de presidente em caso de acusação pelo tribunal especial do Kosovo, Thaçi respondeu: “Por que devo renunciar?”
“Vou responder positivamente (ao convite para comparecer em tribunal), mas não vou renunciar”, respondeu ele.
Nesta quarta-feira, o tribunal mencionou “uma campanha secreta” de Thaçi e Veseli para “garantir que eles não seriam levados à justiça”.
“O procurador especial considerou necessário iniciar a ação pública diante dos repetidos esforços de Hashim Thaçi e Kadri Veseli para impedir e sabotar o trabalho” do tribunal.
“Com essas ações, colocaram interesses pessoais à frente dos das vítimas de seus crimes, do Estado de Direito e de todos os cidadãos do Kosovo”, afirmou.
Vários altos funcionários do Kosovo já foram convocados pelo tribunal no passado.