O novo presidente do Egipto, marechal Abdel Fatah al Sissi, que prestou juramente neste domingo, um ano após ter destituído seu predecessor, o islâmico Mohamed Mursi, prometeu que “não relaxará diante dos que recorrem à violência”.

Em discurso à Nação, Al-Sissi também se comprometeu a trabalhar pela “reconciliação”, mas não com os que “têm as mãos sujas de sangue”.

O marechal prestou juramento diante da Corte Constitucional Suprema, em cerimônia que antecedeu uma recepção no Palácio Presidencial Itihadiya, no Cairo, à qual assistiram o presidente palestino, Mahmud Abbas e vários representantes das monarquias árabes do Golfo Pérsico.

“Juro em nome de Deus todo poderoso preservar o sistema republicano, proteger a lei e a Constituição para velar pelos interesses da população, e preservar a independência da nação e sua integridade territorial”, declarou Sissi diante dos juízes do Tribunal Constitucional, em uma cerimônia transmitida pela televisão.

Al-Sissi já exercia “de fato” a liderança do Egito desde a queda de Mursi – primeiro presidente eleito democraticamente no país – em 3 de julho do ano passado.

Os Estados Unidos não enviaram nenhum funcionário de alto nível às cerimônias para mostrar seu descontentamento com a evolução do processo democrático no Egito. O encarregado de liderar a delegação americana é Thomas Shannon, atual assessor do secretário de Estado John Kerry.

A União Europeia (UE) enviou, por sua vez, seus embaixadores acreditados ao Cairo. A maioria dos países se limitou a felicitar o novo presidente após a eleição.

As autoridades egípcias declararam neste domingo feriado para os funcionários públicos para que pudessem participar das celebrações.

– Eleições após repressão brutal –

O marechal, que passou à reserva para poder disputar a eleição presidencial do fim de maio, venceu sem surpresas com 96,9% dos votos contra seu único rival, o líder da esquerda Hamden Sabahi.

Al-Sissi tomou o poder depois que milhões de egípcios saíram às ruas para exigir a partida de Mursi, que estava há um ano no poder.

Desde a destituição e a detenção do presidente islâmico, as autoridades reprimem firmemente as vozes dissidentes e contam com o apoio de grande parte da sociedade.

Várias ONGs de defesa de direitos humanos denunciaram que o regime liderado por Sissi é ainda mais autoritário que o do presidente deposto em 2011, Hosni Mubarak, que governou com mão de ferro o país por quase três décadas.

Os partidários de Mursi foram as principais vítimas da implacável repressão lançada pelo novo homem forte do Egito, que deixou mais de 1.400 mortos e cerca de 15.000 detidos, centenas deles condenados à morte após a realização de julgamentos coletivos.

O governo, para justificar a brutal repressão, invocou a “guerra contra o terrorismo” ao destacar as dezenas de atentados contra as forças de segurança desde a destituição de Mursi.

Tanto a Irmandade Muçulmana – o movimento do ex-presidente islamita – quanto outros grupos opositores haviam pedido um boicote destas eleições, nas quais o regime queria ganhar legitimidade mobilizando maciçamente a população, algo que não conseguiu.

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