17/06/2026 - 9:15
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,5% em abril na comparação com o mês anterior, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo BC nesta quarta-feira, 17.
A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de abril era de avanço de 0,6%.
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O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,5% em abril na comparação com março, quando houve recuo de 0,2%, de acordo com dados dessazonalizados.
A economia do Brasil acelerou no primeiro trimestre deste ano com expansão de 1,1% frente aos três últimos meses de 2025, segundo dados do IBGE, mas a expectativa é de desaceleração da atividade à frente com uma esperada perda de força do consumo.
O mercado financeiro projeta um avanço de 1,96% do PIB em 2026 e um crescimento de 1,70% para 2027, segundo o último Boletim Focus. Em 2025, a economia brasileira teve alta de 2,3%.
O BC decide nesta quarta-feira seu próximo passo de política monetária, com a Selic atualmente em 14,50%, depois de ter pregado cautela diante das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e as expectativas de inflação globalmente.
‘Economia perdendo velocidade’
A leitura de abril ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,6%. O BC revisou o dado de março depois de ter divulgado inicialmente queda de 0,7% no mês.
“A economia não está parando, mas está perdendo velocidade. A indústria e os serviços seguem carregando o piano, enquanto o aperto monetário e o desequilíbrio fiscal começam a impor um crescimento mais moderado nos próximos meses”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores).
Os dados do BC mostram que em abril indústria e serviços tiveram desempenhos positivos, com ganhos de 0,4% e 0,3% sobre março respectivamente. Já a agropecuária ficou estagnada.
“Os dados de atividade de abril reforçam nossa leitura de que a economia segue resiliente neste início de segundo trimestre. O desempenho continua sustentado pelo avanço da renda das famílias, pelo mercado de trabalho aquecido e pelas medidas de estímulo implementadas pelo governo nos últimos meses”, avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research, ressaltando no entanto que os efeitos defasados da política monetária restritiva devem ser sentidos com mais intensidade ao longo do segundo semestre.
Dados anteriores do IBGE mostraram que, no mês, o setor de varejo foi o único com resultado negativo, com as vendas recuando 1,5% na comparação com março, queda mais intensa em quase quatro anos.
Por outro lado, a produção industrial registrou avanço de 0,7% em abril, quarto mês consecutivo de alta, enquanto o volume de serviços teve no mês a maior alta desde o final de 2024, de 1,2%, segundo o IBGE.
Na comparação com abril do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,6%, segundo números não dessazonalizados.
O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
