Por Roberto Samora e Rafaella Barros

SÃO PAULO (Reuters) -A BR-277, principal via de acesso ao Porto de Paranaguá, foi parcialmente liberada na tarde desta quarta-feira após um deslizamento de terra no início da semana, potencialmente permitindo o retorno do tráfego de caminhões na estrada e a retomada do fluxo de cargas a um dos principais polos de exportação de commodities agrícolas do Brasil.

Com a rodovia interditada desde a noite de segunda-feira, quando o deslizamento foi registrado, o porto vem operando com limitações na recepção de cargas, embora o ramal ferroviário operado pela Rumo tenha sido liberado na véspera, após uma interrupção decorrente dos efeitos da chuva intensa.

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A rodovia BR-277 passou por limpeza e melhorias, sendo liberada inicialmente em pista simples do km 39,5 ao km 42, tanto no sentido Curitiba–Paranaguá quanto no sentido Paranaguá–Curitiba, segundo o Centro de Operações do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR).

Um grande volume de terra e vegetação deslizou sobre a principal via de acesso aos portos de Paranaguá e Antonina. Na BR-277, não há informações sobre vítimas nesse local, mas em outra rodovia, a BR-376, no litoral do Estado, duas mortes foram confirmadas e o Corpo de Bombeiros continua trabalhando em busca de mais vítimas que possam estar sob a terra.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que a estimativa inicial é que 30 pessoas estejam desaparecidas na BR-376.

PARANAGUÁ

As operações de embarques em Paranaguá estão sendo realizadas principalmente com estoques, enquanto o porto sinalizou mais cedo que poderia haver dificuldades para prosseguir com o ritmo de exportações a partir de domingo, se a BR-277 permanecesse interditada.

“Se a situação não for normalizada até o próximo final de semana, é muito provável que a partir de domingo e segunda já teremos dificuldade na recepção de cargas para embarque dos navios, em especial do Corredor de Exportação”, afirmou a gerência de comunicação, na manhã desta quarta.

Quase 80% das cargas exportadas por Paranaguá chegam ali por rodovia. A ferrovia responde por uma parcela menor, transportando principalmente açúcar, mas soja, milho e farelos também têm uma participação importante no trecho ferroviário.

Do total de açúcar que chegou ao porto de janeiro a outubro, 78,5% veio por ferrovia; no caso do milho, Paranaguá recebeu em vagões 38,6% do total recepcionado, enquanto 20% dos farelos e soja que chegaram ao local vieram também por via férrea, segundo dados do porto.

No momento, o Brasil está exportando mais milho, após a colheita de uma grande safra do cereal. Os embarques de soja deste ano já foram realizados em sua maioria, e o país agora está no plantio da nova safra. No caso do açúcar, as exportações ainda estão firmes, apesar de a colheita de cana do centro-sul do Brasil estar na reta final.

Conforme relatório do porto divulgado pela manhã, o bloqueio da rodovia estava na altura da praça de pedágio, em São José dos Pinhais (PR), e havia uma fila de veículos com mais de sete quilômetros de extensão.

O Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá amanheceu com apenas três veículos, disse a administração portuária, citando o reflexo da interdição.

Apesar do baixo fluxo de caminhões na recepção das cargas de granéis sólidos vegetais de exportação –principal segmento operado pelo Porto de Paranaguá–, “ainda não é possível falar em prejuízos”, segundo nota da administração portuária.

O porto ainda divulgou nota rebatendo o que chamou de “fake news”, ressaltando que as operações de embarques e desembarques ocorrem normalmente, apesar do bloqueio nas estradas, segundo o gerente de Operações, Gilmar Francener.

“No Corredor de Exportação, por exemplo, são dois navios atracados, um berço em manutenção (são três no total, berços 212, 213 e 214), quatro navios já programados e outros oito aguardam ao largo para a atracação”, disse.

“Para o desembarque de fertilizantes, somente pelo Porto de Paranaguá existem condições de operar cinco navios simultâneos. Hoje, três navios estão atracados; dois aguardam ao largo e outros quatro navios são esperados”, acrescentou.

Segundo o gerente de Operações, não há navios parados nos portos.

“Os poucos navios que estão ao largo e não foram programados se devem ao fato de ainda não terem todo seu plano de carga fechado. O que também é uma situação normal”, explicou.

No Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá, de acordo com Francener, a espera média é de até 12 dias, “considerado normal para o segmento”. Nos fertilizantes não há espera.

“Não temos nenhum relato de tempos exagerados fora da normalidade. Não há filas de navios e até o momento nenhuma falta de carga em Paranaguá”, garantiu o gerente.

O porto disse que tem adotado medidas para evitar a formação de filas e para atender os caminhões que estão em viagem e perderam os respectivos agendamentos.

(Por Roberto Samora; com reportagem adicional de Rafaella Barros)

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