25/10/2017 - 20:55
O príncipe herdeiro saudita compareceu a um fórum em Riad para revelar a criação de uma enorme zona de desenvolvimento econômico no Mar Vermelho, mas acabou mostrando a sua intenção de transformar radicalmente o reino ultraconservador muçulmano.
Mohamed bin Salmán, de 32 anos, prometeu na terça-feira uma Arábia Saudita “moderada”, distante da imagem de um país árabe considerado durante muito tempo como o maior exportador do wahabismo, uma versão rigorosa do Islã que muitos extremistas adotaram em todo o mundo.
O surpreendente discurso aparece em um plano de reformas inspiradas pelo príncipe, que supõe a maior transformação cultural e econômica na história moderna do reino, segundo diversos analistas.
“Cerca de 70% da população saudita têm menos de 30 anos e, francamente, não vamos passar mais 30 anos de nossa vida aceitando ideias extremistas, e vamos destruí-las agora”, declarou Mohamed bin Salman, provocando aplausos.
“Voltemos ao que éramos antes, um país com um Islã moderado, tolerante, aberto ao mundo e a todas as outros religiões”, acrescentou o príncipe, que muitos de seus críticos acusam de “autoritarismo”.
“Está claro que está transformando o reino, o que implica em uma esfera religiosa mais dócil e menos influente”, opinou o analista Lori Boghardt, do Washington Institute for Near East Policy.
No mês passado, as mulheres obtiveram o direito de dirigir, os cinemas abrirão logo e as sauditas comemoraram pela primeira vez a festa nacional em um estádio onde havia homens.
Durante a conferência econômica de terça-feira, havia inclusive mulheres vestidas à maneira ocidental.
O governo também anunciou a criação de um centro encarregado de “certificar” as palavras do profeta Maomé e excluir qualquer interpretação “falsa e extremista”.
E a Polícia religiosa, encarregada de fazer respeitar a segregação de sexos, quase desapareceu das cidades.
Segundo Ali Shihabi, diretor da Arabia Foundation em Washington, o príncipe herdeiro agiu nos bastidores para levar alguns dignatários religiosos a apoiar suas reformas.
Enquanto tentava diminuir a pressão dos círculos religiosos sobre a sociedade saudita, o príncipe herdeiro, nomeado em 21 de junho, reforçou seu controle político sobre o poder, ordenando a prisão de dissidentes, incluindo religiosos influentes, e de intelectuais.
Entre seus partidários se impõe uma ideia: é impossível chegar a um consenso em um país que é cenário de reformas sem precedentes.
“Os sonhadores são os únicos bem-vindos”, disse o príncipe Mohamed, enquanto alguns analistas econômicos temem mudanças muito rápidas no reino.
