04/02/2020 - 14:51
Frequentemente, as eleições nos Estados Unidos se veem afetadas por problemas técnicos, como ocorreu no estado de Iowa na noite de segunda-feira, um fiasco que deixou em suspenso os resultados das primárias democratas por “inconsistências” nos informes dos caucus.
– Um sistema eleitoral complexo –
Os problemas técnicos que emergem nas eleições dos Estados Unidos podem se explicar em parte pela complexidade do sistema eleitoral desse país.
A organização das eleições é um desafio maior na medida em que os americanos, em geral, votam no mesmo dia nas eleições nacionais e locais, e também elegem autoridades para sua cidade, juízes, chefes de polícia e até podem chegar a decidir sobre um referendo.
Além disso, os sistemas de votação variam de um lugar a outro, porque as eleições se organizam de forma local. Em 2018, o Congresso votou contra de uma iniciativa que fixava padrões e auditorias nacionais para as eleições.
As regras para eleições primárias e assembleias de eleitores ou caucus, processos que os partidos utilizam para eleger seu candidato à presidência, também variam segundo lugar onde se desenvolvam.
– A recontagem da Flórida –
Nas eleições presidenciais do ano 2000, cédulas de votação mal perfuradas por máquinas obsoletas provocaram uma grande confusão no estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos.
Em alguns casos, as máquinas haviam realizado perfurações parciais, o que deixava a critério dos responsáveis pela votação como computar a intenção do eleitor.
Na noite da eleição, a diferença de votos nesse estado entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore era de apenas poucas centenas de votos, e o resultado nacional dependia do da península do sul.
A polêmica apuração derivou em uma batalha legal de cinco semanas e os votos acabaram sendo contados à mão.
Milhares de folhas de votação foram anuladas por conter perfurações junto aos nomes de vários candidatos diferentes.
Finalmente, a Suprema Corte agiu, encerrando o caos ao declarar Bush como ganhador.
– Falha de informática –
Após o fiasco da Flórida em 2000, várias autoridades decidiram adotar sistemas de voto eletrônico nas eleições seguintes.
Essas máquinas não estão isentas de problemas, e as falhas acontecem com frequência, ainda que não na escala nem com a importância do ocorrido na Flórida.
Nas eleições parlamentares de 2006, nos estados de Indiana, Ohio, Pensilvânia, Colorado e Utah foram relatados casos de centros eleitorais fora de serviço, o que obrigou alguns locais de votação a permanecerem abertos por tempo adicional.
A Election Protection, uma organização de controle não partidária especializada em eleições, apontou em um relatório publicado em seu site que 6% das chamadas que recebeu nas eleições de 2018 da metade do período se referiam a problemas com as máquinas de votação, e as denúncias abarcavam de dispositivos defeituosos até queixas pela falta de acessibilidade para portadores com deficiências.
– Temor de hackers –
Os sistemas eletrônicos de votação alimentam também a preocupação por possíveis ciberataques.
Vulnerabilidades do sistema podem permitir que hackers entrem em máquinas de votação ou no sistema eleitoral. Algumas das máquinas não geram cópias do voto, não havendo como verificar se existe manipulação.
Os serviços de inteligência dos Estados Unidos disseram em 2016 que agentes russos tentaram acessar registros eleitorais de aproximadamente 20 estados e obtiveram pelo menos uma dessas listagem, embora aparentemente não tenham alterado qualquer informação.
Em novembro de 2019, Washington anunciou que havia reforçado a segurança da infraestrutura eleitoral em todo o país.
